Para o ano corrente, o piso salarial foi elevado em 5,4%, passando de R$ 4.867,77 para R$ 5.130,63, o que se aplica a profissionais com uma carga horária de 40 horas semanais. Esse aumento equivale a um ganho real de 1,5% em relação à inflação de 2025, que atingiu 3,9%, conforme medido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
A presidente da CNTE, Fátima Silva, destacou que, embora a conquista mereça ser comemorada, o Brasil continua entre os países com a pior remuneração para professores, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Isso evidencia desafios estruturais persistentes enfrentados pela categoria. Em suas declarações, Silva enfatizou que a revisão do piso, com ganho real, é um avanço significativo e o resultado de um esforço contínuo pela valorização da educação pública.
Segundo a CNTE, a metodologia para o reajuste foi discutida amplamente no Fórum Permanente do Piso, levando em consideração a necessidade de previsibilidade e sustentabilidade orçamentária. O acordo contou com a concordância das entidades que representam os secretários estaduais e municipais de educação, reforçando o caráter colaborativo da decisão.
Entretanto, o reajuste não foi bem recebido por prefeitos, responsáveis pelo pagamento dos salários em âmbito municipal. O presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, manifestou descontentamento, afirmando que o impacto financeiro nos cofres públicos poderia chegar a R$ 8 bilhões. Ele criticou a decisão do governo federal de implementar um ajuste significativo após anos de aumentos salariais considerados elevados e ilegais.
A CNM argumentou que aumentos salariais reais devem ser negociados diretamente entre as prefeituras e os profissionais da educação, considerando as limitações fiscais locais. A Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), que representa cidades com mais de 80 mil habitantes, já expressou preocupações em relação ao reajuste, destacando a necessidade de que ajustes no piso salarial sejam acompanhados de responsabilidade orçamentária.
As remunerações dos profissionais da educação vêm de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e complementações da União, e a medida provisória, que terá validade imediata, precisa da aprovação do Congresso Nacional para se tornar definitiva. Assim, o texto do novo piso salarial será publicado na próxima edição do Diário Oficial da União, criando um novo capítulo na luta pela valorização dos educadores brasileiros.






