Criada em 1986 sob a égide das Nações Unidas, a Zopacas visa garantir que a região permaneça livre de armas de destruição em massa. Nesse contexto, o Brasil, Argentina e Uruguai se juntam a outros 21 países da costa oeste africana, que vão do Senegal à África do Sul, formando um bloco unido na busca pela paz e cooperação mútua.
Tradicionalmente, o país que sediará a reunião assume a presidência do mecanismo por um período de dois a três anos. Desta vez, o Brasil dará continuidade ao trabalho iniciado por Cabo Verde, consolidando seu papel como um ator importante na diplomacia regional.
Em um cenário em que os riscos de conflitos armados entre as nações participantes estão reduzidos, a expectativa do Itamaraty é que o encontro não apenas reitere o compromisso com a paz, mas também explore oportunidades para fortalecer a cooperação bilateral e multilateral. O embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey, secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Ministério das Relações Exteriores, destacou que, apesar do histórico de 40 anos da Zopacas, a dimensão de colaboração ainda não foi totalmente usufruída. Ele enfatizou que a zona não é apenas um espaço de desarmamento, mas também de cooperação, que precisa ser intensificada.
Durante o encontro no Rio, os países deverão assinar três documentos essenciais: uma convenção sobre o ambiente marinho, uma estratégia de cooperação com três áreas de atuação que compreendem 14 temas específicos, e a Declaração do Rio de Janeiro, que terá um enfoque político. Contudo, apesar do caráter político do documento, Bicalho afirmou que não se espera uma discussão sobre conflitos fora da região, como os do Oriente Médio ou Leste Europeu. O foco será reafirmar o compromisso com a paz e a segurança na região, além de evitar a interferência de potências externas.
Há expectativas de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participe do encerramento da reunião, demonstrando o comprometimento do Brasil com a segurança e a cooperação no Atlântico Sul. Assim, o evento não só marca uma nova fase na presidência brasileira da Zopacas, como também representa uma oportunidade significativa para o fortalecimento das relações internacionais e a promoção da paz na região.
