POLÍTICA – Ministros do Brasil e EUA discutem comércio e segurança em telefonema, enquanto Lula avalia convite para Conselho da Paz e taxação de produtos brasileiros persiste.

No último sábado, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, manteve um diálogo telefônico com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Essa conversa teve como temas centrais o comércio exterior e a cooperação nas áreas de segurança, como informado pelo Itamaraty. Em uma nota oficial, o ministério brasileiro também mencionou que foram discutidos os preparativos para a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington, programada para março. O governo ainda não revelou a data exata do encontro, que foi anunciado na semana passada.

Este contato direto entre os chanceleres vem em um contexto em que surgiram tensões relacionadas ao novo Conselho da Paz, idealizado pelo presidente dos EUA. Este colegiado foi criado para discutir o futuro da Faixa de Gaza e outras regiões conflitantes, e gerou desconforto nas relações internacionais. Lula, que foi convidado a ocupar um assento no conselho, não respondeu ao convite oficialmente, embora tenha se manifestado criticamente sobre a proposta em um evento recente em Salvador.

Além disso, a ligação entre os chanceleres se fez logo após uma conversa entre Lula e Trump, realizada na última segunda-feira. Durante essa conversa, o presidente brasileiro sublinhou a importância de reformar o Conselho de Segurança da ONU, um tema que historicamente figura nas prioridades diplomáticas do Brasil. Outro ponto relevante discutido entre os dois líderes foi a situação da Venezuela. Lula expressou a preocupação com a necessidade de preservação da paz na região e ambos demonstraram interesse em intensificar a cooperação no combate ao crime organizado transnacional.

A segurança na América Latina, especialmente o narcotráfico, é uma questão de grande relevância para Trump. Desde o início de seu mandato, o presidente americano aumentou a presença militar na região. A situação se exacerbou com eventos recentes, como a operação militar que resultou no sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

Entretanto, o principal foco da interação entre Lula e Trump ainda reside nas tarifas impostas sobre produtos brasileiros. No último ano, o governo dos EUA aplicou uma taxação de 50% sobre a maioria dos produtos importados do Brasil, com exceção de cerca de 700 itens. Embora as tarifas sobre alguns produtos tenham sido beneficiadas por acordos nas reuniões internacionais entre os dois líderes, outros continuam a enfrentar taxas elevadas, afetando diretamente a exportação de máquinas, móveis e calçados brasileiros. A relação entre Brasil e EUA continua, portanto, marcada por uma intensa dinâmica diplomática que busca equilibrar interesses econômicos e questões de segurança regional.

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