Lula declarou que a decisão de aplicar a lei foi tomada para avançar nas negociações com os Estados Unidos, destacando que, em um contexto de compromisso com normas internacionais, como as da Organização Mundial do Comércio (OMC), as ações podem levar um tempo considerável para serem efetivas. Ele enfatizou a necessidade de iniciar o processo, mesmo que a urgência não seja uma prioridade.
Em um contexto mais amplo, o tarifaço norte-americano, que se intensificou sob a gestão Trump, reflete uma estratégia da Casa Branca de proteger a economia americana, especialmente diante de um panorama de crescente concorrência com a China. Inicialmente, em abril, os EUA impuseram tarifas de 10% sobre o Brasil, dado que os americanos têm um superávit em suas transações comerciais com o país. No entanto, em agosto, as tarifas foram elevadas para 50% como retaliação a medidas que o governo americano alegou prejudicar seus interesses comerciais.
O presidente Lula reafirmou a disposição do Brasil para dialogar sobre uma solução negociada, mas ressaltou que a falta de comunicação direta entre as autoridades brasileiras e americanas, como o vice-presidente e ministros, tem dificultado o avanço dessas discussões. Ele indicou que não buscaria diretamente um contato com Trump sem um sinal claro de disposição para negociação por parte dos EUA, evidenciando uma postura cautelosa na diplomacia.
Além das questões comerciais, Lula também se debruçou sobre o tema da segurança pública, comentando sobre investigações relacionadas ao crime organizado, especialmente no setor de combustíveis. Ele classificou essas ações como vitais para desmantelar estruturas criminosas sofisticadas que se infiltraram em várias esferas da sociedade. O presidente enfatizou a ambição de alcançar os responsáveis pela organização criminosa, destacando uma nova abordagem para lidar com esses grupos que operam de maneira clandestina, mas com impactos profundos na política e economia.
Neste cenário, Lula busca não apenas encontrar soluções para os desafios comerciais apresentados pelos EUA, mas também assegurar a integridade nacional diante das ameaças representadas pelo crime estruturado, alinhando sua administração com os interesses mais amplos da soberania e segurança do Brasil.