O ministro explicou que a meta fiscal para este ano é mais ambiciosa do que as anteriores, refletindo um esforço contínuo para melhorar as contas públicas. “Estamos subindo o sarrafo das exigências”, afirmou, referindo-se a essa nova meta como um indicativo claro de que o governo está comprometido em reverter a situação fiscal.
Haddad também trouxe à tona dados que reforçam sua argumentação. Ele observou que, mesmo considerando as exceções fiscais, como o ressarcimento de descontos indevidos do INSS, o déficit de 2022 se situou em somente 0,48% do Produto Interno Bruto (PIB), um número consideravelmente inferior ao déficit projetado pelo governo anterior. “O déficit projetado para 2023, sob a administração de Jair Bolsonaro, era superior a 1,6% do PIB”, afirmou o ministro, ressaltando que o problema da dívida não é meramente uma questão de déficit, mas está intimamente ligado às taxas de juros.
Outra questão levantada por Haddad foi a possibilidade de cortes na taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 15%. Ele expressou otimismo quanto à margens para essa redução, embora tenha elogiado a gestão do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que está lidando com problemas herdados da administração anterior, como o escândalo do Banco Master. Haddad sugeriu que o Banco Central deveria ampliar seu campo de atuação e assumir a fiscalização sobre fundos de investimento, atualmente sob a responsabilidade da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A entrevista ainda abordou temas polêmicos como a taxação de grandes fortunas e offshores. Haddad declarou estar satisfeito em ser lembrado como um ministro que enfrentou a evasão fiscal, destacando a implementação da chamada “taxação BBB” (banco, bilionário e bet).
Além disso, o ministro comentou que a situação econômica não será o fator decisivo nas próximas eleições, especialmente considerando que a segurança pública e o combate à corrupção têm surgido como preocupações primordiais entre os eleitores. Ele também revelou que não tem planos de se candidatar em futuras eleições, conversando sobre isso com o presidente Lula, mas sem uma definição clara até o momento. Essa combinação de temas econômicos e questões sociais reforça a complexidade do cenário político atual e a necessidade de uma gestão fiscal responsável.
