O senador Alessandro Vieira, do MDB de Sergipe e relator da CPI, foi quem propôs a convocação de Ibaneis Rocha. Segundo Vieira, o depoimento de Ibaneis é fundamental para que a comissão entenda as relações comerciais entre o escritório de advocacia que ele fundou e diversas entidades que estão sendo investigadas pela Polícia Federal. O relator enfatizou que há indícios de contratos milionários entre o escritório de Ibaneis e o Grupo Reag Investimentos, assim como repasses financeiros suspeitos do Grupo J&F. A convocação surge em meio a alegações de que, enquanto estava à frente do governo do DF, Ibaneis teria atuado para que o Banco de Brasília adquirisse o Banco Master, que enfrenta diversos questionamentos.
No que diz respeito a Cláudio Castro, Vieira argumentou que seu depoimento traria um entendimento abrangente sobre o cenário do crime organizado no Rio de Janeiro. O relator apontou que o estado se tornou um “laboratório” para as operações criminosas e que a linha entre facções de narcotráfico e grupos milicianos, frequentemente compostos por ex-agentes de segurança pública, está cada vez mais tênue. Vieira descreveu essa nova configuração como uma “simbiose criminosa”, tornando a oitiva de Castro não apenas pertinente, mas indispensável para os trabalhos da CPI.
Ambos os ex-governadores foram convocados após não atenderem aos convites previamente enviados pela comissão. Além das convocações, a CPI também decidiu requisitar a presença de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, que não compareceu à reunião. Vieira ressaltou que a convocação não implica responsabilidade criminal, mas que Campos Neto poderia oferecer informações valiosas sobre os procedimentos e práticas do Banco Central que seriam relevantes para as investigações.
Por fim, os senadores também aprovaram pedidos adicionais, como quebras de sigilo de diversas pessoas físicas e jurídicas, em conformidade com novas exigências do Supremo Tribunal Federal. As deliberações da CPI indicam que as investigações estão avançando com um foco crescente em identificar e combater a corrupção e a lavagem de dinheiro no país.
