O senador Eduardo Girão, do Novo-CE, responsável pelo requerimento que trouxe à tona a necessidade de ouvir esses militares, destacou a importância de entender o papel das Forças Armadas na proteção das fronteiras marítimas e no combate ao tráfico de drogas e armas. Girão enfatizou que a Força Aérea Brasileira é vital para garantir a soberania do espaço aéreo nacional, especialmente em um contexto em que o tráfico se torna uma grave ameaça à segurança pública.
Além das investigações relativas aos militares, a CPI também ampliou seu foco para as grandes empresas de tecnologia. O relator Alessandro Vieira, do MDB-SE, apresentou um requerimento convocando Conrado Leister, diretor-geral da Meta no Brasil. Segundo Vieira, investigações acerca da gigante da tecnologia são fundamentais, dado o potencial uso espacial de suas plataformas — Facebook, Instagram e WhatsApp — para disseminação de atividades criminosas e movimentação financeira irregular.
O relator cita que documentos internos da Meta indicam que a empresa estava ciente do uso de sua rede para fraudes e golpes, resultando em receitas bilionárias, o que levanta questões éticas e legais sobre o modelo de negócios da empresa. Também foi mencionado que a Meta implementa bloqueios a contas suspeitas com um grau de certeza elevado, mas isso levanta preocupações sobre a prioridade que a empresa dá à luta contra fraudes em suas plataformas.
A CPI não se limitou a convites a militares e representantes de grandes empresas; também foi aprovada a convocação do ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias. O ex-parlamentar é alvo de investigações da Polícia Federal por supostamente intermediar fornecimento de armas a facções criminosas, e sua defesa refuta as acusações.
Outras figuras também foram convocadas, incluindo o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, o secretário especial da Receita Federal, o secretário nacional de Segurança Pública e o presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A CPI busca promover um diagnóstico abrangente das atividades de facções e milícias no Brasil, com o intuito de sugerir melhorias legislativas e implementar políticas públicas mais eficazes no combate ao crime organizado. A criação da comissão surge após uma operação policial no Rio de Janeiro que resultou na morte de 122 pessoas, denunciando a urgência de abordagens mais rigorosas contra as organizações criminosas no país.
