A votação que resultou na suspensão ainda deve ser ratificada em plenário, onde será necessário o respaldo de pelo menos 257 votos. Os deputados afetados pela decisão têm o direito de recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para contestar a aprovação do Conselho.
Retornando aos detalhes do caso, a situação tornou-se crítica em agosto de 2025, quando um grupo de deputados e senadores da oposição decidiu pernoitar nos plenários do Congresso Nacional. O ato protestava contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e exigia a votação da proposta de anistia para os que participaram dos eventos de janeiro. Em resposta, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), solicitou o afastamento de 14 deputados que se envolveram no motim.
O corregedor da Câmara, Diego Coronel (PSD-BA), recomendou que o Conselho de Ética analisasse a situação dos três parlamentares, sugerindo a suspensão de seus mandatos. A votação do Conselho ocorreu após longas nove horas de debates e culminou com uma aprovação clara dos pareceres contra os deputados citados. Marcos Pollon recebeu 13 votos a favor da suspensão, enquanto Zé Trovão e Marcel van Hattem foram suspensos com 15 votos a favor.
Em suas defesas, os deputados se manifestaram de maneira vehemente frente à decisão. Zé Trovão denunciou o ato como uma perseguição política, garantindo que, se necessário, tomaria novamente a Mesa para defender seus eleitores. Marcos Pollon argumentou que sempre buscou manter um debate civilizado e elevado, expressando sua indignação com o que considera uma grave injustiça. Da mesma forma, Marcel van Hattem lembrou que o gesto de protesto no plenário da Câmara foi pacífico, em contraste com a repressão que, segundo ele, está sendo aplicada contra a oposição. Essa sequência de eventos evidenciou a polarização política que continua a marcar a cena nacional.
