POLÍTICA – Câmara discute PEC que elimina escala 6×1 e reduz jornada de trabalho para 36 horas; governo apresenta projeto com urgência para acelerar mudanças.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221 de 2019, que visa abolir a jornada de trabalho de seis dias com um dia de descanso, conhecida como escala 6×1, tem sua análise agendada para esta quarta-feira, 22 de novembro, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Esta proposta não apenas elimina essa prática, mas também sugere uma redução gradual da carga horária semanal de 44 horas para 36 horas, um processo que deve ocorrer ao longo de uma década. O início da sessão está previsto para as 14h30.

A PEC retorna à pauta da CCJ após pedidos de vistas por parte da oposição na semana anterior. O relator da comissão, Paulo Azi, do partido União (BA), já se manifestou a favor da admissibilidade da proposta, defendendo a sua constitucionalidade. Caso a PEC seja aprovada nesta fase, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou a criação de uma comissão especial que terá um prazo determinado de sessões – entre 10 e 40 – para analisar e emitir um parecer sobre o texto, que posteriormente será submetido ao plenário.

Entretanto, essa tramitação poderá se arrastar por meses. Diante de falas de líderes da oposição sugerindo esforços para bloquear a PEC, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou a iniciativa de enviar um projeto de lei (PL) ao Congresso, que busca a mesma meta de extinguir a escala 6×1 e reduzir a jornada de trabalho para 40 horas semanais, com urgência constitucional. Este projeto precisa ser votado em até 45 dias, caso contrário, haverá a possibilidade de travar a pauta do plenário.

Hugo Motta comentou que, embora o governo federal tenha a prerrogativa de enviar um PL com urgência, a tramitação da PEC continuará a ser conduzida na Câmara. A proposta de emenda unificou diferentes iniciativas de parlamentares, como o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e a deputada Erika Hilton (PSOL-RJ). O governo sustenta que a proposta do Executivo não entra em conflito com a PEC ainda em discussão.

Luiz Marinho, ministro do Trabalho e Emprego, explicou que, se a PEC for aprovada dentro do prazo estipulado, o projeto de lei perderá a validade. Ele ressaltou que, enquanto o trâmite da PEC é mais demorado, o PL pode proporcionar uma redução na carga horária de trabalho de forma mais rápida, consolidando esse avanço antes de eventual aprovação da PEC. O objetivo é assegurar, no futuro, proteções contra tentativas de aumento da jornada de trabalho, semelhante ao que ocorreu na Argentina.

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