Os defensores da proposta tiveram a oportunidade de apresentar suas visões acerca da importância do PL, destacando o progresso que ele pode representar para a sociedade. O professor José Vicente, reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares, fez um apelo à mobilização da população e à sensibilização de aliados políticos. Ele alertou que, entre os 513 deputados, apenas 100 a 120 se identificam como negros, um número considerado insuficiente para aprovar uma medida de tal magnitude sem amplo respaldo da sociedade.
Se aprovado, o PL adicionará um novo capítulo à Constituição Federal, o IX, que tratará da promoção da igualdade racial e criará o Fundo Nacional de Reparação Econômica e de Promoção da Igualdade Racial (FNREPIR). Este fundo terá um aporte de R$ 20 bilhões provenientes do orçamento federal—R$ 1 bilhão por ano—além de indenizações de empresas que se beneficiaram da escravidão. A proposta visa garantir igualdade de oportunidades e a inclusão social de brasileiros pretos e pardos.
Em uma análise detalhada, José Vicente comentou que os recursos financeiros são essenciais para a implementação de políticas públicas efetivas, enfatizando que o fortalecimento da vida e da integridade física dos jovens negros é uma prioridade. Ele destacou a importância de reunir vozes e opiniões em torno desta causa, para que as políticas possam ganhar maior visibilidade e impacto.
O PL está previsto para ser votado em maio, após o sinal verde do deputado Hugo Motta, presidente da Câmara. Dada a necessidade de dois terços dos votos nas duas casas do Congresso para a alteração constitucional, a confiança dos parlamentares presentes na audiência é palpável. O deputado Orlando Silva (PC do B/SP), relator do projeto, reiterou que a luta contra o racismo deve ser um esforço coletivo: “Essa luta não pertence apenas aos negros; ela deve envolver toda a sociedade brasileira”, afirmou, ressaltando a urgência de superar o racismo estrutural presente no país.
Uma vez que o projeto receba aprovação no Congresso, ele seguirá para a Presidência da República, onde se tornará lei e iniciará a estruturação do FNREPIR e das políticas associadas. Silva finalizou enfatizando a necessidade de ampliar o alcance das políticas já existentes, que muitas vezes são limitadas por orçamentos insuficientes. A expectativa de que o projeto possa transformar a realidade da igualdade racial no Brasil é uma esperança compartilhada por todos os presentes na audiência.
