Boulos argumentou que a simples oferta de informações sobre finanças pessoais é insuficiente para lidar com juros que superam 15% ao ano. Ele ressaltou que, sem uma redução significativa dessas taxas, programas como o “Desenrola Brasil”, que tem o objetivo de ajudar as famílias a renegociar suas dívidas, terão que ser constantemente ampliados e repetidos. O ministro criticou a abordagem lenta em que os juros são reduzidos “a conta-gotas”, alertando que, nesse ritmo, as taxas permanecerão altas por décadas.
Comparando a situação do Brasil com a de outros países, Boulos destacou que na Espanha, por exemplo, a inadimplência em linhas de crédito é de apenas 3,5%, enquanto o Brasil registra uma inadimplência de 4,2%. Essa discrepância, segundo ele, não tem justificativa, especialmente quando se considera que a taxa de juros em negociações semelhantes pode ultrapassar 65% no Brasil, muito mais elevada do que os 3% cobrados na Espanha.
O ministro também discutiu o papel do programa “Desenrola Brasil”, que já alcançou R$ 1 bilhão em renegociações em apenas uma semana, oferecendo descontos médios de 65% nas dívidas. Embora reconheça o impacto positivo dessa iniciativa, ele reafirmou que a solução não aborda a raiz do problema, enfatizando que a equipe do governo está ciente de que novas edições do programa serão necessárias se a taxa de juros não for reduzida.
Além disso, Boulos fez uma conexão entre o aumento das apostas online e o endividamento das famílias, alertando que essas plataformas se tornaram um terreno fértil para a lavagem de dinheiro por organizações criminosas. Ele criticou a disponibilidade das apostas, dizendo que a proibição de cassinos físicos é ineficaz quando as apostas estão acessíveis na palma da mão, através de dispositivos móveis.
Por fim, o ministro também expressou preocupações sobre a carga tributária aplicada aos sites de apostas. Ele destacou que, enquanto profissionais como jornalistas enfrentam uma carga de 27,5% de Imposto de Renda, as apostas online pagam apenas 12%, um contraste que ele considera um escândalo em termos de justiça fiscal.





