Polícia Federal realiza operação contra ex-governador e desembargador, investigando sonegação de impostos e fraudes no setor de combustíveis no Rio de Janeiro.

Na manhã desta sexta-feira, a Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação mirabolante que visa desmantelar um esquema de corrupção e irregularidades que envolve figuras de destaque no governo e na magistratura do Rio de Janeiro. O foco das investigações é o ex-governador Cláudio Castro, do Partido Liberal (PL), e o policiamento se estendeu a 17 mandados de busca e apreensão, atingindo também o desembargador afastado Guaraci Vianna, o ex-secretário da Fazenda Juliano Pasqual e o ex-procurador do estado Renan Saad.

A ação, respaldada por autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, investiga ações suspeitas ligadas ao grupo Refit, cujo proprietário, Ricardo Magro, é considerado um dos maiores sonegadores de impostos do Brasil. Magro, atualmente residindo fora do país, enfrenta um mandado de prisão preventiva. A PF já solicitou a inclusão de seu nome na lista de Difusão Vermelha da Interpol, buscando assim sua captura internacional.

Ricardo Magro controla a Refinaria de Manguinhos e possui negócios também nos Estados Unidos e em Portugal. Sua empresa se tornou alvo de investigações após a Operação Carbono Oculto, que trouxe à tona a conexão de facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), em fraudes no setor de combustíveis. Anteriormente, Magro havia sido investigado por corrupção, incluindo desvios relacionados a fundos de pensão, embora tenha sido absolvido em um caso de grande repercussão que o envolveu.

Entre os investigados está o ex-procurador Renan Miguel Saad, que foi exonerado recentemente do cargo na Procuradoria-Geral do Estado, e que agora enfrenta sérias acusações. Também foram realizadas buscas na residência do ex-secretário da Fazenda, Juliano Pasqual, em Jundiaí, São Paulo.

A operação atinge diretamente o sistema judicial, com a inclusão do desembargador Guaraci Vianna, que foi afastado de suas funções por decisões controversas que aparentemente beneficiaram a Refit. O Conselho Nacional de Justiça identificou indícios de que Vianna proferiu decisões irregularidades durante um processo de recuperação judicial da refinaria, o que levanta sérias implicações sobre a ética e a integridade do judiciário.

Neste contexto, a sociedade aguarda os desdobramentos dessa complexa operação, que pode trazer à tona novas evidências sobre as ligações entre a política, a justiça e o crime organizado no Brasil. A expectativa é que as investigações revelem um quadro mais amplo de corrupção e evasão fiscal, impactando diretamente na confiança dos cidadãos nas instituições.

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