Polícia Federal Pede Transferência de Daniel Vorcaro para Presídio após Insatisfação com Proposta de Delação Premiada do Dono do Banco Master

A Polícia Federal solicitou a transferência de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, de sua atual custódia na superintendência da PF no Distrito Federal para o presídio federal em Brasília. A solicitação, protocolada em 24 de abril, aguarda decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça.

Essa demanda surge em um momento delicado do caso em que Vorcaro está envolvido. Apenas alguns dias após o pedido da PF, sua defesa apresentou uma proposta de delação premiada, que, até o momento, não atendeu às expectativas dos investigadores. Fontes próximas à investigação revelaram que os detalhes fornecidos pelo banqueiro foram considerados “insuficientes”, o que demonstra a insatisfação dos agentes com a lentidão no fornecimento das informações necessárias.

Um ponto crucial na delação diz respeito aos supostos pagamentos mensais de até R$ 500 mil ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). As investigações indicam que esses pagamentos teriam como contrapartida a atuação do senador em favor de interesses privados de Vorcaro no Senado. Essa questão foi ressaltada na decisão de Mendonça, que autorizou novos mandados de busca e apreensão nos endereços do parlamentar, dentro da nova fase da Operação Compliance Zero.

Em resposta a essas alegações, a defesa de Ciro Nogueira se manifestou, negando qualquer ilegalidade em suas ações. O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, destacou a disposição do senador em colaborar com a Justiça e criticou as medidas investigativas que considera precipitadas, afirmando que as decisões baseadas em comunicações de terceiros merecem uma análise rigorosa e cuidadosa.

Daniel Vorcaro já possui um histórico de prisões. Sua primeira detenção ocorreu em novembro de 2025, quando tentava fugir para Dubai. Ele foi preso no contexto da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes relacionadas ao Banco Master, estimadas em R$ 12 bilhões. Após a sua prisão, o banco foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central, desencadeando a maior operação de resgate da história do Fundo Garantidor de Créditos.

Liberado da prisão no final de novembro, Vorcaro teve seu processo transferido para o Supremo em dezembro, onde começou a negociação de sua delação premiada. Contudo, tudo mudou em março de 2026, quando foi preso novamente após o parecer da PF o identificar como um dos líderes de uma organização criminosa. Desde então, a defesa do banqueiro tem se esforçado para desmentir as acusações, ao mesmo tempo que busca uma saída por meio da delação.

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