Polícia Federal pede prisão preventiva do dono da página Choquei após decisão do STJ que concedeu habeas corpus a investigados da Operação Narco Fluxo.

A Polícia Federal (PF) solicitou, nesta quarta-feira, a prisão preventiva de Raphael Souza Oliveira, conhecido como o proprietário da página Choquei. A medida ocorre um dia após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ter concedido habeas corpus aos envolvidos na Operação Narco Fluxo, que foi desencadeada em 15 de abril. Essa operação detalha uma investigação abrangente, com a participação de mais de 200 agentes, na qual foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão e 39 mandados de prisão temporária.

De acordo com a PF, a nova solicitação de prisão preventiva visa assegurar a “garantia da ordem pública” e a “aplicação da lei penal”. Contudo, a defesa de Oliveira se manifestou prontamente, afirmando que recorrerá da decisão, destacando que a fundamentação da ordem de prisão não apresenta elementos suficientes que justifiquem a custódia cautelar em relação ao cliente. O advogado criminalista Pedro Paulo de Medeiros enfatizou que o juiz responsável pela decisão não fez menção específica ao nome de Raphael, o que, segundo a defesa, caracteriza uma falha grave neste processo.

A defesa questionou a falta de individualização dos fundamentos para a prisão, salientando que a decisão não explica de maneira concreta e específica a necessidade da medida para o caso em questão. Eles reafirmaram que a ordem não apresenta justificativas adequadas e que, portanto, pretendem contestar a decisão nas instâncias superiores.

A decisão do STJ, que beneficiou inicialmente o cantor conhecido como MC Ryan SP e foi estendida a outros 32 investigados, destacou uma “flagrante ilegalidade” na análise anterior, onde a prisão temporária de 30 dias foi considerada excessiva. O ministro responsável pela revisão argumentou que o prazo de cinco dias solicitado pela própria PF deveria ser respeitado, corroborando a defesa dos acusados.

A Operação Narco Fluxo investiga um esquema que pode ter movimentado mais de R$ 260 bilhões, envolvendo atividades como tráfico de drogas, apostas ilegais e rifas virtuais. A PF alega que os investigados utilizavam empresas nos setores artístico e digital como uma forma de ocultar a origem criminosa desses recursos. A continuidade das prisões e das investigações é vista como um passo crucial na luta contra crimes financeiros e a lavagem de dinheiro.

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