Uma análise preliminar realizada por um pesquisador apontou que algumas das peças encontradas são de marcas renomadas, como Patek Philippe, Cartier e Hublot. Se essas peças forem mesmo originais, o valor de mercado de alguns modelos pode chegar a impressionantes R$ 500 mil. Para fortalecer essa suposição, dois especialistas consultados corroboraram a presença de itens dessas grifes ao examinarem imagens dos relógios apreendidos.
A defesa de Wagner, por sua vez, declarou que nem todos os relógios são originais e que não é possível detalhar quais são réplicas e quais são autênticos. A equipe jurídica do senador ainda salientou que alguns dos itens haviam sido apreendidos anteriormente durante a Operação Cartão Vermelho, em 2018, e posteriormente devolvidos a ele. Essa operação investigou alegações de irregularidades na administração do Estádio Fonte Nova, em Salvador, e foi arquivada no início de 2025.
Ainda nesta segunda-feira, a defesa do senador protocolou uma ação judicial buscando anular os mandados de busca e apreensão emitidos pelo ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF) no contexto da Operação Compliance Zero. De acordo com o advogado Pablo Domingues, essa medida se baseia em supostos equívocos, já que o senador teria apresentado uma emenda em favor do Banco Master. No despacho, Mendonça indicou que Wagner teria recebido “favores econômicos” de um ex-sócio do banco em troca de sua atuação favorável na Câmara.
Os itens apreendidos, incluindo os relógios, estão agendados para passar por uma avaliação no Instituto Nacional de Criminalística (INC). O foco da perícia será determinar sua autenticidade, valor de mercado e, se necessário, submeter peças com pedras preciosas a um especialista em geologia. Este não é o primeiro incidente relacionado a coleções de relógios que envolvem o senador; em 2018, a PF apreendeu 15 relógios em sua residência.
Além disso, também foram encontrados dois celulares e cerca de R$ 479 mil em dinheiro – em notas de dólar e euro – tanto no hotel quanto em sua residência. O senador esclareceu que grande parte dessa quantia advém de diárias pagas pelo Senado durante viagens ao exterior, reafirmando sua posição de que não possui nada a esconder.
Wagner se manifestou, afirmando estar “absolutamente tranquilo” em relação às investigações e negando qualquer prática de irregularidades. Ele declarou que nunca recebeu dinheiro de qualquer indivíduo, especialmente dos mencionados na investigação. O cenário atual ressalta mais um capítulo em uma longa história de investigações que cercam o senador e suas possíveis relações com práticas ilícitas no campo financeiro.
