Os indícios coletados pela PF durante as investigações sugerem que Wagner teria recebido vantagens econômicas indevidas, tanto diretamente quanto por meio de familiares e pessoas de confiança, através de estruturas associativas ligadas ao grupo econômico que está sob investigação. Estas informações foram explicitadas em uma decisão judicial emitida por Mendonça, que atua como relator do caso no STF.
Essa não é a primeira vez que o nome de Jaques Wagner se torna um ponto central na trama envolvendo o Banco Master. Anteriormente, evidências revelaram que sua nora teria recebido a quantia expressiva de R$ 11 milhões de uma empresa chamada BK Financeira, da qual ela é proprietária. Em resposta a essas alegações, Wagner negou qualquer envolvimento, afirmando não ter conhecimento sobre investigações e nunca ter atuado em intermediações ou negociações que favorecessem a referida empresa.
A Operação Compliance Zero, alvo de ações na Bahia, São Paulo e no Distrito Federal, desdobrou-se em sua nona fase e tem como foco não apenas Wagner, mas também Augusto Lima. Ao todo, 18 mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos como parte dessa investigação, que visa esclarecer a suposta participação de agentes públicos em irregularidades que envolvem instituições do sistema financeiro nacional.
Em nota, a PF enfatizou que a operação investiga possíveis crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Essa fase da Compliance Zero segue a anterior, que teve como alvo o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e se concentrava em supostas irregularidades na relação do Rioprevidência com o Banco Master, que poderiam ter ocasionado perdas de até R$ 3 bilhões.
A Operação Compliance Zero foi iniciada em novembro de 2025, visando desmantelar um esquema de fraudes bilionárias, que envolvia a criação de carteiras de crédito sem lastro e a emissão de títulos fraudulentos. À medida que as investigações progrediam, outras figuras passaram a ser implicadas, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), em razão de sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente em custódia. A PF ampliou seu escopo investigativo para incluir uma suposta rede de corrupção e pagamentos indevidos a agentes públicos, além de um esquema de intimidação e espionagem, conhecido como “A Turma”.
