Esta apuração faz parte da quarta fase da Operação Unha e Carne, que resultou na prisão de Rangel. Segundo as investigações da PF, há indícios de que o deputado atuava como um “braço político” de uma organização criminosa que se beneficiava de contratos públicos para reformas em escolas estaduais. A suspeita é que essas reformas eram direcionadas a empresas que, em troca, repassavam parte dos recursos financeiros para membros do grupo, com especial atenção para Rangel.
Os investigadores destacam que a suspeita de caixa 2 veio à tona a partir da análise de conversas entre Rangel e Luiz Fernando Passos de Souza, apontado como operador financeiro do grupo e também alvo da operação. A PF traçou uma linha do tempo que liga a atuação de Souza a Rangel desde a campanha da filha do deputado à vereança em 2024. Um relatório anterior da Operação Postos de Midas, realizada em 2024, identificou indícios de compra de votos, possivelmente financiada por Bacellar.
Após as eleições, Souza continuou a operar em um esquema na Secretaria Estadual de Educação, com valores desviados supostamente movidos por meio de uma empresa registrada em nome de sua esposa. Os investigadores apontam que essa empresa, uma casa de festas, teria auxiliado na movimentação de recursos púbicos desviados destinados a Rangel. A PF notou várias transferências financeiras entre a casa de festas e uma empresa cujo procurador é o próprio deputado, sugerindo uma conexão financeira perigosa entre os envolvidos.
Em resposta à prisão de Rangel, sua defesa expressou surpresa com a operação e a prisão preventiva. Afirmaram estar se informando sobre os detalhes da investigação e reiteram a confiança nas instituições jurídicas e no devido processo legal. Rangel nega a prática de quaisquer ilícitos e se compromete a fornecer todos os esclarecimentos necessários no âmbito da investigação, enfatizando que qualquer conclusão antecipada seria imprópria sem a análise completa dos elementos que fundamentaram a medida cautelar.







