A PF descreve que o modelo de negócios do Digimais é análogo ao utilizado pelo Banco Master, de Daniel Vorcaro. O banco teria adotado uma estratégia agressiva na captação de recursos, oferecendo investimentos com rendimentos acima da média do mercado, amparados pela cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), respeitando os limites legais estabelecidos. Em resposta à operação, o Digimais declarou estar aberto à colaboração com as autoridades e reafirmou seu compromisso com a transparência e conformidade regulatória.
Entre as práticas suspeitas estão a concessão de crédito consignado e o financiamento de veículos seminovos, atividades que o banco intensificou após sua transformação em Digimais. Desde a aquisição do Banco Renner, em 2020, a instituição teve um crescimento acelerado, mas isso foi seguido por prejuízos significativos e um aumento da inadimplência. Um dos principais pontos de investigação é a carteira de veículos, que, segundo as apurações, está superavaliada em R$ 3,5 bilhões e é utilizada para disfarçar a real situação financeira do banco.
Além disso, entre 2023 e 2024, o Digimais começou a oferecer Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com juros superiores a 110%, uma prática controversa que levantou bandeiras vermelhas junto à PF, principalmente pela conexão com a garantia do FGC. A situação se agravou quando, em 2025, o ex-sócio do Banco Master, Maurício Quadrado, tentou adquirir a instituição, mas a operação foi barrada pelo Banco Central.
A superavaliação de ativos é um dos pontos principais das investigações. De acordo com a PF, o Digimais tem sistematicamente superestimado seu patrimônio para driblar auditorias e fiscalizações. Exemplos citados incluem títulos da mineradora Vale, que foram avaliados em R$ 650 milhões, e um terreno em Pernambuco, que, apesar de estar registrado por R$ 150 milhões, teria um valor real inferior a R$ 10 milhões.
Os esquemas de manipulação são ampliados pela utilização de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), como o Fundo Hermon, para encobrir aquisições de direitos creditórios por valores inflacionados. Estima-se que, em um caso, os ativos tenham sido reavaliados de R$ 71 milhões para R$ 741,3 milhões no balanço do banco, caracterizando uma prática contábil extremamente questionável. O montante total de ativos superavaliados, estimado em R$ 670 milhões, foi bloqueado na Operação Miragem, que investiga as irregularidades. A ação revela mais uma vez os riscos envolvidos em práticas financeiras duvidosas dentro do sistema bancário nacional.
