Polícia Federal investiga banco Digimais por inflar ativos em R$ 670 milhões em fraudes contábeis na Operação Miragem.

A Polícia Federal iniciou uma investigação significativa que envolve o banco Digimais, alegando um suposto esquema de fraude no Sistema Financeiro Nacional. A ação, chamada Operação Miragem, foi desencadeada nesta terça-feira e tem como foco o inflacionamento artificial das cotas de fundos registrados no balanço do banco. A investigação aponta que os ativos da instituição estavam avaliados em R$ 71 milhões, mas foram contabilizados em impressionantes R$ 741,348 milhões, resultando em uma discrepância chocante de cerca de R$ 670 milhões.

Este caso levanta sérias questões sobre a gestão do Digimais, que é controlado pelo grupo do bispo Edir Macedo. A operação abrange ações em São Paulo, incluindo a execução de mandados de busca e apreensão, além do bloqueio dos sigilos bancários e fiscais associados à investigação. Tais medidas visam esclarecer a extensão das irregularidades e a real situação financeira do banco.

De acordo com a apuração, a instituição utilizou um modelo contábil inadequado que inflacionou seus resultados. O Banco Central detectou essa infração e solicitou a devida correção dos registros, reduzindo os ativos ao verdadeiro valor de R$ 71 milhões. No entanto, em um movimento controverso, o Digimais solicitou um plano de parcelamento para lidar com o impacto contábil das correções ao longo de cinco anos.

Em um desdobramento ainda mais intrigante, no final de 2025, o Digimais firmou um contrato de compra e venda a prazo das cotas de seus fundos com a BA Empreendimentos e Participações, que também é controladora do banco, estabelecendo o valor total em R$ 741.348.945,70. Curiosamente, essa transação ocorreu sem qualquer entrada de recursos nas contas do banco, com previsão de pagamento estendida até 2032, o que levanta dúvidas sobre as intenções por trás desse acordo.

A Polícia Federal enfatizou que este contrato é uma tentativa de contornar as determinações anteriores do Banco Central e garantir que os valores inflacionados permaneçam registrados na contabilidade do Digimais. Em resposta a essas graves acusações, a instituição bancária afirmou estar à disposição para colaborar com as investigações e reforçou seu compromisso com a transparência e conformidade regulatória. A repercussão deste caso promete ser ampla, à medida que o desenrolar da investigação continua a ser acompanhado de perto.

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