Polícia Federal Investiga Banco Digimais por Fraudes em Captação de Recursos e Ocultação da Saúde Financeira, Com Bens Bloqueados que Somam R$ 670 Milhões.

A Polícia Federal (PF) está investigando práticas suspeitas envolvendo o Banco Digimais, instituição relacionada ao bispo Edir Macedo, conhecido por sua liderança na Igreja Universal do Reino de Deus e pela propriedade da RecordTV. O banco é acusado de empregar estratégias semelhantes às do Banco Master, que também se utilizou do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) como um meio para incrementar a captação de recursos.

De acordo com as autoridades, o Banco Master fez uso de um modelo de atração de investimentos no varejo ao emitir Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) e outros títulos com taxas de retorno acima da média estabelecida no mercado. Essa prática, que contava com a garantia do FGC, teria permitido uma captação considerável de recursos de forma irregular.

A situação do Banco Digimais ganhou destaque na Operação Miragem, uma ação da PF que investiga possíveis fraudes dentro do Sistema Financeiro Nacional (SFN). A operação já resultou na execução de mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de bens de indivíduos investigados, totalizando até R$ 670 milhões. Os auditores independentes apontaram que muitos investimentos do banco em fundos estruturados careciam de auditoria completa, o que levanta sérias dúvidas sobre a transparência das operações financeiras realizadas.

Além disso, a enquête revelou que o banco adquiriu cotas de fundos recém-criados que apresentaram valorização rápida, o que desperta a necessidade de uma análise aprofundada, considerando que alguns desses fundos não possuíam relatórios financeiros auditados durante o período em questão.

A linha principal de investigação da PF sugere que os diretores do Banco Digimais teriam adulterado balanços e registros contábeis para mascarar a verdadeira saúde financeira da instituição. Com isso, o intuito seria simular uma situação financeira sólida aos olhos dos órgãos reguladores, facilitando a realização de operações ilegais.

Os crimes sob investigação incluem gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e a realização de operações de crédito que contrariam a legislação vigente. Essas práticas se enquadram no rol de delitos contra o Sistema Financeiro Nacional.

A lista de executivos alvos da operação inclui figuras-chave como João Luiz Urbaneja, ex-presidente do conselho de administração, e Thiago Rodrigues Urbaneja, o ex-diretor-presidente. Outros nomes como João Alves de Campos e Marcelo de Lima Brasil, ambos com vínculos à diretoria do banco, também estão sob investigação. Além disso, Rodrigo Ruggero, Rodrigo Balassiano e José Roberto Giancoli Filho são mencionados como alvos relacionados a fundos e empresas associadas às operações em análise.

A PF aguarda resposta dos advogados dos envolvidos, assim como manifestações do Fundo Garantidor de Crédito e do próprio Banco Digimais, a fim de esclarecer a situação. O desfecho desse caso poderá ter repercussões significativas no mercado financeiro e nas práticas de governança corporativa.

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