De acordo com documentos divulgados pela PF, as práticas do Digimais teriam semelhança com as atribuições ao detido Banco Master, que, sob a gestão de Daniel Vorcaro, se destacou pela oferta de investimentos atrativos, com rentabilidades superiores à média do mercado e garantias do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Essa abordagem, que inicialmente pode parecer vantajosa, poderá estar escondendo problemas financeiros sérios.
O Digimais foi criado após a aquisição do Banco Renner, que existia desde 1981, por Edir Macedo em 2009, quando ele adquiriu 40% da instituição. Em 2020, Macedo tomou o controle total do banco e o rebatizou como Digimais. Desde então, a instituição passou a investir fortemente em crédito consignado e financiamento de veículos, áreas onde obteve crescimento inicial expressivo. No entanto, esse crescimento foi seguido por um aumento drástico na inadimplência e prejuízos financeiros consideráveis.
Uma investigação revelou que a carteira de veículos do banco, avaliada em R$ 3,5 bilhões, pode ter sido uma das principais fontes de superavaliação para melhorar a aparência do balanço contábil. Em meio a um cenário adverso, o Digimais redobrou suas ofertas de crédito consignado, onde os pagamentos são deduzidos diretamente da folha de pagamento.
Entre 2023 e 2024, segundo a PF, o banco começou a oferecer Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas atrativas, superando 110% do CDI, tendo como suporte a garantia do FGC. No início de 2025, Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master, tentou adquirir o Digimais, mas a transação foi interrompida pelo Banco Central.
A PF também expôs que, numa tentativa de apresentar uma situação financeira saudável, o Digimais supervalorizou diversos ativos. Títulos da mineradora Vale, por exemplo, foram avaliados em R$ 650 milhões. Um terreno em Pernambuco que supostamente valeria R$ 150 milhões tinha, na verdade, um valor real inferior a R$ 10 milhões. Em outro caso, ativos que possuíam um valor de R$ 71 milhões foram reavaliados para R$ 174,5 milhões, inflacionando assim o valor contábil dos bens.
Adicionalmente, o banco utilizou uma complexa rede de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), como o Fundo Hermon, para encobrir a aquisição de direitos creditórios por valores exorbitantes. A investigação também apontou que, em dezembro de 2025, o Digimais inflou em quase dez vezes o valor contábil das cotas desses fundos, contabilizando mais de R$ 741 milhões em ativos que, de fato, valeriam apenas R$ 71 milhões. Os R$ 670 milhões supervalorizados foram bloqueados durante a Operação Miragem, evidenciando a aparente manipulação em busca de resultados financeiros positivos.





