Polícia Federal Descarta Delacão de Daniel Vorcaro em Caso do Banco Master, Investigação Continua em Busca de Novas Evidências.

Na quarta-feira, 20 de maio de 2026, a Polícia Federal (PF) comunicou a rejeição da proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, o proprietário do Banco Master. Os investigadores concluíram que as informações fornecidas pela defesa de Vorcaro estavam aquém do que era esperado e não trouxeram novos elementos substanciais além das provas já coletadas durante o processo investigativo.

Fontes envolvidas no caso sugerem que o empresário também se absteve de reconhecer fatos previamente identificados em celulares que foram apreendidos durante as investigações. Essa omissão foi considerada um fator negativo nas negociações relativas à delação. Apesar da rejeição do acordo, a defesa de Vorcaro poderá tentar uma negociação diretamente com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Contudo, qualquer acordo ainda precisaria da aprovação do organismo, assim como da homologação do ministro André Mendonça, que é o relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em paralelo, a investigação prossegue, mesmo sem um acordo firmado. Neste mês, a PF realizou operações em endereços relacionados ao senador Ciro Nogueira (PP), que foi ministro da Casa Civil durante o governo de Jair Bolsonaro. A investigação apura possíveis repasses financeiros e o pagamento de despesas pessoais do senador por pessoas ligadas ao grupo de Vorcaro, incluindo viagens em aviões particulares.

Além disso, revelações recentes do portal Intercept Brasil trouxeram à tona gravações entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente, em que o senador solicitava recursos ao empresário para viabilizar a cinebiografia de Jair Bolsonaro, intitulada “Dark Horse”. Vorcaro teria investido cerca de R$ 61 milhões na produção do filme.

Na última semana, Vorcaro foi transferido para uma cela comum na Superintendência da PF em Brasília, após decisão do STF que determinou que ele deveria ser submetido às normas ordinárias daquela unidade. O banqueiro ficou detido por fraudes financeiras que resultaram em prejuízos exorbitantes, superiores a R$ 47 bilhões, para o Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A sua detenção inicial ocorreu em 19 de março e, antes da transferência, ele estava em uma sala especial, no mesmo local onde o ex-presidente Jair Bolsonaro havia cumprido pena por alguns meses.

As visitas dos advogados de Vorcaro agora são limitadas, permitindo apenas duas visitas diárias de 30 minutos cada, sem o uso de equipamentos de trabalho, em comparação ao acesso anteriormente mais liberado que tinha. Essa mudança reflete a complexidade e a gravidade do caso que continua a evoluir na esfera judicial brasileira.

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