Polícia Federal apreende mais de R$ 4,2 milhões em dinheiro na operação contra corrupção de auditores da Receita no Porto do Rio.

Na última terça-feira, 28 de abril, a Polícia Federal (PF) revelou um volume impressionante de dinheiro apreendido durante a Operação Mare Liberum, que investiga uma complexa rede de corrupção ligada à Receita Federal no Rio de Janeiro. Ao todo, foram encontrados mais de R$ 4,2 milhões em espécie, abrangendo cédulas de real, dólar, euro e libra esterlina. Essa quantia é resultado de um esquema de irregularidades envolvendo a importação de mercadorias no Porto do Rio, onde se suspeita da facilitação de contrabando e descaminho em troca de propinas.

As imagens divulgadas pela PF mostram a abundância de dinheiro, evidenciando um panorama alarmante sobre a corrupção em órgãos fiscalizadores. Dentre as apreensões, destacam-se R$ 1,5 milhão em reais, US$ 467 mil (equivalente a aproximadamente R$ 2,4 milhões) e 50 mil euros (cerca de R$ 281 mil). Todo esse montante foi encontrado em residências de auditores fiscais e outros servidores, uma situação que levanta sérias preocupações sobre a integridade dos funcionários responsáveis pela fiscalização tributária.

A operação culminou no afastamento de 25 servidores da Receita Federal, incluindo 17 auditores fiscais, que agora enfrentam investigações por seu envolvimento em atividades criminosas. As irregularidades foram detectadas inicialmente pela Corregedoria da Receita, que em fevereiro de 2022 iniciou investigações internas a respeito de um grupo organizado e estruturado de servidores, despachantes e empresários que operavam em conluio para liberar mercadorias de forma irregular.

Além do vultoso montante em dinheiro, a operação apreendeu 54 celulares, 17 veículos, 11 relógios de luxo e até armamento, incluindo um revólver e munições. Segundo os levantamentos, o esquema de corrupção pode ter causado prejuízos diretos da ordem de R$ 86,6 bilhões entre julho de 2021 e março de 2026.

Os investigadores identificaram três frentes principais de atuação desse grupo: a liberação indevida de mercadorias categorizadas como de alto risco, a liberação de embarcações e equipamentos no setor de óleo e gás sem fiscalização adequada, e o recebimento de propinas por parte de operadores portuários. As investigações continuam, com a PF buscando aprofundar as informações e responsabilizar todos os envolvidos, além de trabalhar na recuperação dos valores desviados. O cenário atual evidencia um desafio significativo para a integridade das instituições públicas e a confiança da população nos mecanismos de fiscalização.

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