Polícia Civil marca audiência com Bolsonaro sobre pistola apreendida; defesa nega irregularidades e diz que arma estava inoperante durante blitz.

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) anunciou que, no dia 24 deste mês, realizará uma audiência por videoconferência com o ex-presidente Jair Bolsonaro. A convocação do ex-mandatário se insere em um inquérito que investiga a apreensão de uma pistola registrada em seu nome, que ocorreu durante uma blitz na semana anterior.

O registro da arma foi alvo de ação policial após a equipe de segurança de Bolsonaro falhar em apresentar a documentação necessária durante a fiscalização. Não foi apresentado o Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF), essencial para comprovar a legalidade do porte, levando à apreensão do armamento. No boletim de ocorrência, Bolsonaro é mencionado como um dos “envolvidos” no incidente.

A delegacia responsável pelo caso destacou, em um comunicado enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que a intimação pessoal do ex-presidente encontrou obstáculos. O delegado Thiago Boeing Schemes da Silva detalhou que, devido às limitações impostas pela equipe responsável pela segurança de Bolsonaro, a diligência não conseguiu ser efetivada. Ele afirmou que a tentativa de notificação não teve sucesso, pois a escolta não permitiu a realização do ato.

Com a impossibilidade da intimação direta, a PCDF solicitou ao ministro Alexandre de Moraes que autorize formalmente a audiência agendada e confirme a obrigatoriedade de comparecimento do ex-presidente.

Nesta quarta-feira, os advogados de Bolsonaro se manifestaram perante o STF, refutando a alegação de irregularidades na posse da pistola apreendida durante a operação. Eles afirmaram que, apesar da condenação do ex-presidente a 27 anos de prisão pelo intento de golpe de Estado em 2022, não houve qualquer determinação judicial que exigisse a entrega de suas armas ou o cancelamento de seus registros. “Bolsonaro, portanto, não se encontrava em situação irregular”, destacaram os defensores, defendendo que ele estaria disposto a entregar o armamento caso houvesse ordem do Supremo.

Os advogados ainda explicaram que a equipe de segurança do ex-presidente havia retirado um componente da pistola, tornando-a “inoperante”, justificando que isso se deu em função de medicações psiquiátricas que estariam sendo administradas a Bolsonaro. Essa versão contrasta com a do sargento que portava a pistola, que alegou estar com a arma apenas para realizar um reparo. Essa divergência de informações ressaltará a complexidade do caso à medida que a investigação judicial se desenrola.

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