Polícia Civil desmantela esquema de extorsão do TCP, que coagiu moradores no Morro de São Carlos para expandir domínio territorial

A Polícia Civil do Rio de Janeiro revelou um sofisticado esquema de extorsão e ocupação ilegal que está sendo atribuído a uma ramificação do Terceiro Comando Puro (TCP). O grupo tem como alvo moradores e comerciantes do entorno do Morro de São Carlos, no Estácio, com o objetivo de expandir seu domínio territorial. A investigação aponta que métodos violentos, como ameaças e intimidações armadas, eram utilizados para forçar a venda de imóveis a preços extremamente abaixo do mercado, criando um ambiente de temor e insegurança na comunidade.

Durante as apurações, os investigadores conseguiram interceptar um áudio em que uma advogada orientava membros da quadrilha a respeito das barreiras legais para regularizar a posse de um imóvel de um morador que estava sendo atacado pelo esquema. A profissional esclareceu, na gravação, que havia um processo de execução judicial em nome do proprietário, o que complicaria a transferência de posse. Ouvindo a advogada, fica evidente a estratégia do TCP em tentar legalizar a ocupação ilegal de propriedades para encobrir suas ações criminosas.

O modus operandi do grupo é alarmante. As investigações revelam que o esquema opera em cinco etapas: inicia-se com a intimidação armada, seguido pela coação persistente dos proprietários, levando à venda forçada ou abandono dos imóveis. Essas propriedades, então, são adquiridas por meio de empresas de fachada ligadas ao grupo, que também utilizam essas estruturas para lavar dinheiro obtido de atividades ilícitas.

A recente operação policial resultou na prisão de três indivíduos, além da investigação de outras 21 pessoas, abrangendo indivíduos e empresas que podem estar conectados ao esquema. A Justiça emitiu 43 mandados de busca e apreensão, e o bloqueio de R$ 60 milhões foi autorizado, juntamente com o sequestro de bens de luxo e imóveis utilizados pela organização criminosa.

A cúpula do TCP, identificada na operação, inclui elementos conhecidos por sua atuação no tráfico e na exploração econômica da área, com destaque para quatro líderes conhecidos: Léo Empada, Menor Cheru, Parazão e Coelho. Dentre eles, Parazão, que se encontra foragido, é acusado de coordenar não apenas o tráfico na região, mas também a negociação de armas.

As tentativas desse grupo de expandir seu domínio através de intimidações e exploração têm sido observadas em outras áreas do Rio, conforme alertou o delegado Jefferson Ferreira, responsável pelas investigações. Ele enfatizou a necessidade de uma atuação forte e contínua contra essas facções criminosas que avançam sobre comunidades e buscam consolidar seu poder por meio do medo, intimidação e corrupção.

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