Polêmica sobre radares na RJ-106: motoristas questionam quantidade e proximidade em locais de risco antes do feriadão de Corpus Christi

O feriado prolongado de Corpus Christi traz uma oportunidade para descanso e lazer na Região dos Lagos e no Norte Fluminense, com a Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106), que liga São Gonçalo a Macaé, como uma das principais rotas. Contudo, os motoristas que trafegam por essa via se deparam com uma nova polêmica: a instalação recente de radares, que gerou descontentamento em vários usuários. A preocupação se intensifica, uma vez que a época é marcada por um clima mais frio e chuvoso, o que pode aumentar os riscos nas estradas.

A discussão sobre os radares ganhou força entre os motoristas, especialmente com o surgimento de listas informais que indicam a localização dos novos equipamentos. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ) esclarece que os radares estão em fase de teste e a aplicação de multas só terá início na segunda quinzena deste mês. Apesar dessa informação, muitos motoristas já estão reduzindo a velocidade ao se aproximar dos radares, demonstrando um clima de desconfiança.

Um dos críticos da instalação é Aderli Mendes Faria, aposentado e morador de Niterói, que utiliza constantemente a RJ-106 para visitar sua casa em Cabo Frio. Ele questiona a quantidade de instrumentos instalados, alegando haver apenas alguns pontos críticos na rodovia. “Acredito que a intenção é, infelizmente, arrecadar”, afirma.

O DER-RJ informa que, ao todo, a rodovia contará com 133 equipamentos dispostos em 78 pontos ao longo de seus 200 quilômetros. Para aumentar a transparência, a lista completa dos pontos de fiscalização será divulgada no site do órgão ainda neste mês. Entretanto, a polêmica se estende além da quantidade de radares; a proximidade entre muitos deles também é motivo de críticas. Em algumas áreas, como próximo ao Hospital Ernesto Che Guevara em Maricá, a distância entre radares é de apenas 700 metros.

Além disso, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) está investigando a licitação que resultou na compra dos equipamentos, depois de denúncias sobre a simulação de competitividade. O DER-RJ defende que os procedimentos foram seguidos adequadamente e que prestou os esclarecimentos necessários.

O setor turístico da região também está apreensivo com a situação. Marco Navega, presidente do Conselho de Turismo da Costa do Sol, expressa preocupação quanto ao impacto no fluxo de turistas, uma vez que 90% deles chegam por vias rodoviárias. Ele critica a falta de consulta às cidades sobre a instalação dos novos radares, que podem afetar significativamente o turismo.

Moradores que utilizam a RJ-106 diariamente, como Vitor Ferreira, um entregador de Maricá, relatam que a quantidade de radares pode acabar gerando um ambiente de insegurança. A proximidade de locais com histórico de criminalidade, como em São Gonçalo e Maricá, levanta preocupações não apenas em relação às multas, mas também aos riscos de assaltos.

Diante dessas problemáticas, o debate sobre a instalação de radares na RJ-106 está longe de acabar, com diversas partes interessadas clamando por uma reavaliação das localizações e políticas de fiscalização. A situação revela uma tensão entre segurança nas estradas e a pressão da arrecadação.

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