A autenticidade da obra foi colocada em xeque na época de seu surgimento, levantando dúvidas no mercado de arte. A Agab (Associação de Galerias de Arte do Brasil) emitiu uma nota expressando que não reconhece o laudo de autenticidade da tela, alegando a necessidade de participação de figuras responsáveis pela catalogação das obras de Tarsila do Amaral.
A obra, de propriedade de Moisés Mikhael Abou Jnaid, brasileiro-libanês, teve seu valor aumentado significativamente após a certificação, passando de R$16 milhões para R$60 milhões. Além disso, a gestão do espólio da pintora passou por mudanças, com a substituição de Tarsilinha por Paola Montenegro e a nova presidência do Comitê de Autenticação por Douglas Quintale.
O perito Quintale ressaltou que foram realizados diversos exames tecnológicos para comprovar a autenticidade da obra, incluindo avaliações de grafotecnia e pinacologia, exames de luz ultravioleta, infravermelho e imagens hiperespectrais. Paola Montenegro destacou a importância da certificação para iniciar um novo trabalho de catalogação das obras da pintora.
A OMA Galeria informou que está em negociação com uma instituição internacional e que a certificação irá contribuir para a valorização e exposição da obra de Tarsila do Amaral. No entanto, Jones Bergamin, da Bolsa de Arte, expressou discordância em relação ao aumento de valor da avaliação da tela, questionando a autenticidade da obra.
O proprietário da tela, Moisés Mikhael Abou Jnaid, explicou que a obra foi presente de seu pai para sua futura esposa, Beatriz Maluf, em 1960. Após passar por diversas gerações, a tela retornou recentemente ao Brasil, sendo um objeto de valor simbólico e emocional para a família.
Apesar das controvérsias em torno da autenticidade da obra, a certificação abre portas para novas oportunidades de exposição e valorização da arte de Tarsila do Amaral.







