Polêmica obra de Tarsila do Amaral tem autenticidade comprovada após quatro meses de especulações e valorização chega a R$ 60 milhões

Após quatro meses de uma polêmica aparição na 20ª edição da SP-Arte, a tela “Paisagem, 1925”, atribuída a Tarsila do Amaral (1886-1973), teve sua autenticidade comprovada. A informação foi divulgada recentemente pela Tarsila S.A., empresa responsável pelo gerenciamento do espólio da pintora, pela OMA Galeria, que intermedia as negociações da obra, e pelo perito Douglas Quintale, responsável pelo processo de certificação.

A autenticidade da obra foi colocada em xeque na época de seu surgimento, levantando dúvidas no mercado de arte. A Agab (Associação de Galerias de Arte do Brasil) emitiu uma nota expressando que não reconhece o laudo de autenticidade da tela, alegando a necessidade de participação de figuras responsáveis pela catalogação das obras de Tarsila do Amaral.

A obra, de propriedade de Moisés Mikhael Abou Jnaid, brasileiro-libanês, teve seu valor aumentado significativamente após a certificação, passando de R$16 milhões para R$60 milhões. Além disso, a gestão do espólio da pintora passou por mudanças, com a substituição de Tarsilinha por Paola Montenegro e a nova presidência do Comitê de Autenticação por Douglas Quintale.

O perito Quintale ressaltou que foram realizados diversos exames tecnológicos para comprovar a autenticidade da obra, incluindo avaliações de grafotecnia e pinacologia, exames de luz ultravioleta, infravermelho e imagens hiperespectrais. Paola Montenegro destacou a importância da certificação para iniciar um novo trabalho de catalogação das obras da pintora.

A OMA Galeria informou que está em negociação com uma instituição internacional e que a certificação irá contribuir para a valorização e exposição da obra de Tarsila do Amaral. No entanto, Jones Bergamin, da Bolsa de Arte, expressou discordância em relação ao aumento de valor da avaliação da tela, questionando a autenticidade da obra.

O proprietário da tela, Moisés Mikhael Abou Jnaid, explicou que a obra foi presente de seu pai para sua futura esposa, Beatriz Maluf, em 1960. Após passar por diversas gerações, a tela retornou recentemente ao Brasil, sendo um objeto de valor simbólico e emocional para a família.

Apesar das controvérsias em torno da autenticidade da obra, a certificação abre portas para novas oportunidades de exposição e valorização da arte de Tarsila do Amaral.

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