O esquema funcionava da seguinte forma: as vítimas eram obrigadas a pagar R$ 15 mil por ano e entre R$ 200 e R$ 300 por mês. Caso deixassem de efetuar os pagamentos, eram encaminhadas pelos PMs para os agiotas, que cobravam juros exorbitantes, chegando a 20% ao mês. O coronel Fábio Sérgio do Amaral, da Corregedoria da Polícia Militar, relatou que um dos policiais inclusive atuava como cobrador das dívidas dos ambulantes com os agiotas.
Durante entrevista coletiva, o coronel afirmou que as extorsões propiciavam o interesse dos agiotas na região e resultavam em práticas de cobrança violentas. Uma vítima equatoriana, por exemplo, teve sua casa invadida, foi agredida e teve R$ 4 mil em dinheiro subtraídos após atrasar um pagamento a um agiota. As investigações também revelaram que os policiais intimidavam os ambulantes durante seus períodos de folga e, mesmo durante o expediente, passavam pela região para ameaçá-los.
A operação resultou na prisão dos envolvidos e também cumpriu 20 mandados de busca e apreensão em cinco pessoas jurídicas e 15 pessoas físicas. O sigilo bancário e fiscal de oito empresas e 21 pessoas foi quebrado. Mensagens de WhatsApp obtidas por meio de quebra de sigilo e escutas ambientais revelaram que a organização criminosa obteve R$ 2.200 em uma única noite em uma rua do Brás. A Polícia Militar e o Ministério Público de São Paulo continuam investigando o caso em busca de mais informações e envolvidos.






