PM é preso após atirar em faxineiro durante operação; vítima perde rim e estado de saúde é estável. Investigação enfrenta falhas de registro.

Na manhã do último sábado, um incidente trágico ocorreu em Capão Redondo, zona sul de São Paulo, quando Lourivaldo Vieira dos Santos, um faxineiro de 50 anos, foi baleado por um soldado da Polícia Militar, Luiz Henrique Braz dos Santos, de 26 anos. O disparo, que atingiu a região lombar da vítima, resultou na remoção total de seu rim, após complicações que envolveram a dilaceração do órgão. Atualmente, Lourivaldo se encontra internado e estável no Hospital do Campo Limpo, onde passou por uma nefrectomia total e precisou de ventilação mecânica nas primeiras horas após a cirurgia.

O policial responsável pelo disparo foi preso em flagrante e levado ao Presídio Romão Gomes. Entretanto, no dia seguinte, ele foi libertado durante uma audiência de custódia e responde em liberdade por tentativa de homicídio. O soldado alegou que sua intenção era atingir um motociclista que estaria sem capacete e sem placa, supostamente fazendo menção a uma arma de fogo. Durante uma operação relacionada ao combate de bailes funk na região, ele errou o tiro e atingiu Lourivaldo, que estava do outro lado da rua.

O relato do soldado e de testemunhas são os únicos registros do ocorrido, já que a câmera corporal de Luiz Henrique não conseguiu captar o instante do disparo. Segundo um relatório policial, o acionamento da câmera aconteceu tardiamente, o que resultou na perda das imagens do momento anterior. Outros policiais envolvidos na operação não apresentaram registros devido a problemas técnicos ou por estarem em direções distintas.

O caso, que está sendo investigado pela Polícia Civil e pela Corregedoria da Polícia Militar, levanta questionamentos sobre a conduta dos policiais e a preservação da cena do crime. O delegado Eder Vulczak, responsável pela apuração, manifestou preocupação em relação ao atraso na comunicação do incidente à Polícia Civil e a falta de uma análise técnica adequada da situação. Ele destacou que a PM não tinha competência para conduzir investigações em casos que envolvem crimes dolosos contra a vida praticados por policiais.

Além de criticar a atuação da Polícia Militar, o delegado mencionou a necessidade de uma resposta mais eficaz das autoridades em situações que envolvem uso de força e disparos de arma, uma vez que a preservação de evidências é crucial para elucidar a dinâmica dos eventos e determinar responsabilidades. A investigação está em andamento e espera-se que novas informações sejam coletadas para que a verdade sobre os fatos seja conhecida.

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