PM Desocupa Reitoria da USP com Violência, Estudantes Organizam Ato Unificado para Esta Segunda-feira (11)

Conflito na USP: Desocupação Policial e Unitário Movimento Estudantil

Na madrugada do último domingo, 10 de maio, a Polícia Militar (PM) realizou a desocupação do saguão da reitoria da Universidade de São Paulo (USP), localizado no campus Butantã. A ação, que contou com cerca de 50 policiais, ocorreu durante a semana em que os estudantes, em greve desde 14 de abril, protestavam por melhores condições no programa de assistência estudantil.

A intervenção deixou marcas significativas. Embora a PM tenha afirmado que não houve feridos, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) reportou que seis estudantes foram atendidos em uma Unidade de Pronto Atendimento, sendo que um deles teve o nariz fraturado. Os estudantes estavam no local participando de uma programação com suas famílias, em um momento que deveria ser de celebração.

Os conflitos em torno da reitoria são parte de uma disputa mais ampla relacionada ao reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE). Atualmente, os auxílios variam de R$ 330,00 a R$ 885,00 mensais, e os alunos reivindicam que os valores sejam equiparados ao salário mínimo paulista, que está em R$ 1.804,00. As propostas da administração da USP de aumento, que incluem um auxílio de R$ 912,00, foram consideradas insuficientes pelos estudantes, levando à ocupação.

O estudante de pedagogia Amenor criticou a oferta da reitoria como irrisória, destacando que os valores não são suficientes para suportar as necessidades dos alunos. Além disso, as demandas estudantis incluem melhorias nas moradias e na qualidade da alimentação nos bandejões, que, segundo relatos, têm apresentado problemas sérios.

A PM usou bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, um ato que foi visto com indignação por líderes estudantis. Shay Oliveira, diretor do DCE da USP, expressou a insatisfação com a forma como a situação foi tratada, revelando um ambiente de negociação que se deteriorou ao longo do tempo. Em resposta à violência, os estudantes planejam um ato unificado no dia 11 de maio, em frente à reitoria da Unesp, convocando apoio de instituições como a Unicamp.

A USP, por sua vez, lamentou a operação policial que foi realizada sem aviso prévio e reafirmou seu compromisso com o diálogo, mesmo reconhecendo a complexidade da situação que envolve reivindicações que extrapolam a esfera universitária. As expectativas de uma solução pacífica parecem distantes, à medida que o clima de tensão se intensifica.

Enquanto isso, as instituições de ensino superior do estado são palco de uma crescente mobilização estudantil, que reflete uma insatisfação generalizada em relação a políticas educacionais e condições de permanência. Estudantes de outras universidades, como Unesp e Unicamp, também estão se mobilizando, evidenciando uma luta coletiva por mudanças estruturais na educação pública do Brasil.

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