PL enfrenta divisão interna após apoio à PEC do fim da jornada 6×1, complicando campanha de Flávio Bolsonaro e forçando nova proposta para modernizar relações de trabalho.

O apoio predominante do PL na Câmara dos Deputados à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a escala de trabalho 6×1 — um tema central na agenda do governo Lula — causou agitação na pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), opondo-se à medida. Dos 97 deputados do PL, 83 manifestaram-se favoráveis à PEC, revelando uma dissonância entre a base do partido e o discurso de Flávio. Para contornar esta situação, o senador Rogério Marinho (PL-RN), responsável pela coordenação da campanha de Flávio, lançou uma PEC alternativa, buscando reorientar o debate no Senado.

Entre os parlamentares que apoiaram a proposta original na Câmara, destacam-se figuras ligadas ao núcleo político de Flávio, como os líderes do PL, Altineu Côrtes e Sóstenes Cavalcante, além de outros congressistas alinhados ao bolsonarismo. Essa divisão expôs tensões entre a posição crítica do senador e a postura majoritária de sua bancada em relação a uma pauta que ressoa com o interesse popular.

A PEC alternativa de Marinho sugere que os trabalhadores possam optar entre o regime tradicional da CLT e um modelo baseado em horas trabalhadas. A proposta busca promover uma flexibilização nas relações de trabalho, possibilitando que a compensação de horas e a redução da jornada sejam ajustadas por meio de acordos individuais ou convenções coletivas. Além disso, a PEC estabelece que contratos individuais podem prevalecer sobre instrumentos coletivos em situações específicas, assegurando, no entanto, que os trabalhadores recebam remuneração proporcional à sua carga horária e mantenham direitos como férias e décimo terceiro salário.

Marinho destacou, em sua comunicação aos senadores, que a intenção da PEC é modernizar as relações de trabalho no Brasil, sem retirar direitos já garantidos. Complicações vieram à tona, no entanto, quando o senador Eduardo Gomes, vice-presidente do Senado, comentou que a votação na Câmara foi insuficientemente debelada, movida mais por temores eleitorais do que pelo conteúdo da proposta.

Nos bastidores, assessores próximos a Flávio reconhecem que a situação embaraçou o discurso da candidatura, em um momento crítico em que o senador tentava buscar uma base de apoio mais ampla, distanciando-se do bolsonarismo mais radical. Internamente, os aliados temem que a aprovação da PEC fortaleça a posição do governo Lula em uma questão de forte apelo popular, ao mesmo tempo em que expressam a necessidade de Flávio enfatizar uma agenda econômica própria.

Enquanto isso, os membros da campanha abordam a possibilidade de que a proposta aprovada pela Câmara possa não ter um impacto eleitoral tão significativo quanto se imagina, sugerindo que muitos eleitores preferem uma redução da jornada apenas na busca por mais tempo livre, sem compreender totalmente suas implicações.

Por fim, o caminho à frente no Senado parece repleto de desafios. Após uma tramitação acelerada na Câmara, o próprio presidente do Senado, Davi Alcolumbre, já manifestou desconforto com o processo. O próximo passo será uma reunião de líderes para definir um cronograma e as comissões responsáveis pela votação, sendo esperada a nomeação de um relator, com Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado, entre os cotados. A expectativa é que o Congresso debata essas propostas com a urgência necessária para implementar mudanças antes das próximas eleições.

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