Yohana, que desde 2015 possui a documentação civil identificando-a oficialmente como mulher, descreve a cirurgia como um renascimento. Ela afirma que, psicologicamente, sempre se identificou como mulher, mas agora, com a realização da cirurgia, sente que seu órgão condiz com sua essência. A cirurgia foi considerada um sucesso e Yohana recebeu alta no dia 17 de agosto.
Antes de ser aceita para a cirurgia de redesignação sexual, Yohana foi submetida a dois anos de acompanhamento psicológico no Ambulatório Transexualizador do hospital. Esse acompanhamento é uma das etapas exigidas pelo Ministério da Saúde para a realização da cirurgia. A atenção psicológica tem como objetivo redimensionar as expectativas dos pacientes e prepará-los para os desafios e possíveis frustrações que possam surgir após o procedimento.
Além do acompanhamento psicológico, os pacientes também passam por tratamento hormonal, pois a retirada dos testículos afeta a produção de hormônios sexuais. O objetivo é manter não apenas as características sexuais, mas também a saúde geral dos pacientes.
A endocrinologista Luciana Oliveira, coordenadora do Ambulatório Transexualizador, destaca a importância desse tipo de cirurgia para o bem-estar psicológico das pessoas trans. Segundo ela, a não aceitação da genitália como algo compatível com a identidade de gênero pode levar a problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade.
A oferta dessa cirurgia pelo SUS é justificada pelo impacto positivo que ela pode ter na vida dos pacientes. Muitas pessoas trans não teriam condições financeiras de realizar o procedimento de outra forma, devido às dificuldades sociais que enfrentam. Portanto, o acesso gratuito pelo SUS é essencial para garantir a igualdade de oportunidades.
O Hupes, onde a cirurgia de Yohana foi realizada, é um hospital de referência que agora conta com um centro de cirurgia de redesignação sexual. Buscando ampliar a oferta desse tipo de cirurgia, o centro espera obter o credenciamento do Ministério da Saúde.
Desde 2010, o SUS já realizou 415 cirurgias de redesignação sexual, sendo a maioria em mulheres trans. Esses procedimentos são fundamentais para garantir o bem-estar e a saúde mental das pessoas trans, e seu acesso gratuito é um passo importante para promover a inclusão e a igualdade.
Por fim, é importante ressaltar que a cirurgia de redesignação sexual não é o caminho para todas as pessoas trans. Existem diferentes formas de expressão de gênero e nem todas as pessoas desejam passar por essa modificação. O avanço na compreensão da diversidade dos corpos é fruto do trabalho de ativistas que lutam pela aceitação e inclusão de todas as identidades de gênero.





