Atualmente, as avaliações de mercado dessas fintechs estão abaixo de US$ 1 bilhão, um patamar que contrasta com o status de unicórnio que ambas desfrutavam anteriormente, quando seu valor superava a marca de US$ 1 bilhão. O PicPay, que lançou suas ações com um valuation de cerca de US$ 2,1 bilhões e arrecadou cerca de US$ 400 milhões em sua IPO, agora é avaliado em aproximadamente US$ 970 milhões. O Agibank, que também começou com um valuation robusto de cerca de US$ 1,7 bilhão, atingiu um valor de mercado similar ao do PicPay após a desvalorização das suas ações.
A situação se torna ainda mais preocupante ao se considerar os múltiplos de lucro das empresas. Enquanto o PicPay é negociado a 6,5 vezes seu lucro anualizado, o Agibank está à frente a 5,5 vezes. Em comparação, concorrentes bem estabelecidos, como o Nubank, estão operando a 19 vezes seu lucro, e o Inter a 12 vezes, evidenciando uma discrepância alarmante.
Os analistas do BTG apontam que, além dos resultados recentes insatisfatórios, que incluem um aumento nos créditos problemáticos e uma originação fraca no Agibank, a saída de investidores contribuiu para a queda acentuada das ações. O movimento é típico em cenários pós-IPO, onde a expectativa inicial pode levar investidores a vender rapidamente suas participações quando os resultados não correspondem ao esperado.
Adicionalmente, os especialistas levantam uma questão preocupante: o risco de PicPay e Agibank se tornarem “ações órfãs”. Isso implica que, por serem listadas no exterior e dependendo fortemente de investidores estrangeiros, quando estes se afastam, não há uma base sólida de compradores internos, resultando em uma liquidez reduzida e uma queda ainda maior. Comparações com empresas como Vinci Partners e Patria demonstram que, embora tenham enfrentado pressões similares, havia justificativas mais robustas para suas listagens no exterior, algo que talvez não se aplique da mesma forma a PicPay e Agibank.
Portanto, o futuro dessas fintechs no mercado americano permanece incerto, com analistas alertando para a necessidade de vigilância quanto à sua valorização e à dinâmica de mercado em que estão inseridas.






