PGR posiciona-se pela rejeição de queixa-crime de Bolsonaro contra Lula por suposta difamação em discurso em Salvador

A Procuradoria-Geral da República (PGR) tomou uma posição clara e contundente em relação à queixa-crime apresentada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em uma manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) neste sábado, a PGR se posicionou pela rejeição da queixa-crime, argumentando que o presidente da República possui uma “imunidade processual temporária” durante o mandato.

No caso em questão, Bolsonaro acionou o STF em outubro do ano passado, alegando que Lula teria cometido injúria e difamação durante um discurso em Salvador, em maio. O ex-presidente teria feito insinuações indiretas ligando Bolsonaro a uma mansão nos Estados Unidos, de propriedade do irmão do ajudante de ordens Mauro Cid.

Durante o discurso, Lula afirmou que acabara de ser descoberta uma casa de US$ 8 milhões do ajudante de ordens do presidente. Ele insinuou que a mansão não seria para o ajudante, mas sim para o próprio Bolsonaro, a quem se referiu como “o paladino da discórdia, o paladino da ignorância, o paladino do negacionismo”.

Para o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a imunidade conferida ao presidente da República pela Constituição impede a instauração de uma ação penal neste caso, uma vez que as condutas alegadas estão fora de suas funções oficiais.

Os advogados de Bolsonaro, por sua vez, argumentam que a declaração de Lula foi falsa e difamatória, pois não há qualquer ligação do presidente com a mansão mencionada. Eles ressaltam que a fala de Lula tinha o objetivo de atingir pessoalmente Bolsonaro, mesmo sem mencionar diretamente seu nome.

Diante desse impasse, caberá ao STF decidir se a queixa-crime apresentada por Bolsonaro terá seguimento ou se será rejeitada com base no parecer da PGR. A polêmica entre os dois presidentes continua a alimentar debates e controvérsias no cenário político nacional.

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