PF investiga uso de emendas parlamentares em produção de filme sobre Jair Bolsonaro; auditoria da CGU busca desvios de recursos destinados a ONG.

A Polícia Federal (PF) deu início a um inquérito que investiga as possíveis irregularidades na utilização de recursos provenientes de emendas parlamentares, direcionados a entidades relacionadas à produção do filme “Dark Horse”, que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão de instaurar a investigação ocorreu na última sexta-feira, após autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino.

No centro da apuração estão cinco parlamentares, entre os quais se destaca o deputado federal Mário Frias. Em 2024, Frias alocou R$ 2 milhões em emendas para uma ONG que é presidida pela sócia da produtora responsável por “Dark Horse”. Este vínculo levanta questionamentos sobre a destinação dos fundos e sua eventual aplicação na produção do filme.

Em declarações anteriores, Mário Frias defendeu que as emendas encaminhadas à ONG não tinham como propósito o financiamento da obra cinematográfica sobre Bolsonaro. Contudo, a controvérsia persiste, especialmente com a recente auditoria iniciada pela Controladoria-Geral da União (CGU). O objetivo desse processo é examinar a correta aplicação dos recursos públicos, verificando se foram realmente utilizados para os projetos previstos nas emendas ou se houve desvio de finalidade, como a utilização indireta destes fundos para custear a produção de “Dark Horse”.

A auditoria envolverá uma análise técnica aprofundada, incluindo a verificação de documentos e prestações de contas, bem como a avaliação da efetiva realização dos projetos apresentados pelas entidades beneficiadas. Os resultados desta investigação serão encaminhados ao ministro Flávio Dino e poderão influenciar o andamento do inquérito em curso no STF.

Essa movimentação levanta importantes questões sobre a transparência na aplicação de recursos públicos e a responsabilidade de parlamentares na gestão de emendas. O desenrolar dessa investigação promete trazer à tona informações cruciais sobre a conexão entre financiamento público e produções cinematográficas, refletindo um cenário em que a ética e a legalidade estão sob intenso escrutínio.

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