PF Indicia Empresário por Lavagem de Dinheiro e Liga Ex-Governador de Roraima a Esquema de Fraude em Licitações com Transações Milionárias

Um desdobramento preocupante nas investigações da Polícia Federal traz à tona um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo personagens proeminentes da política e do empresariado em Roraima. Em uma das transações mais alarmantes, Clóvis Braz Pedra, empresário indiciado por organizar uma rede criminosa, transferiu a quantia de R$ 250 mil para Antônio Parima Vieira. Este último, até recentemente, era sócio do ex-governador Antonio Denarium em um frigorífico local.

O inquérito revela que a transferência, considerada suspeita, ocorreu em um contexto que levanta questões sobre a transparência nas relações comerciais e na administração pública do estado. Clóvis, que é acusado de ser um “testa de ferro” em fraudes licitatórias, parece ter atuado em conluio não apenas com empresários, mas também com figuras do governo, incluindo aliados próximos.

Curiosamente, no mesmo dia em que Parima deixou a sociedade no Frigo 10, Disney Mesquita, que já ocupou o cargo de chefe da Casa Civil de Roraima, tornou-se sócio do frigorífico. As investigações indicam que Clóvis também fez pagamentos milionários a empresas vinculadas a Disney, um sinal de um possível esquema de enriquecimento ilícito e favorecimento em contratações públicas. Um dos pagamentos mais questionáveis foi de R$ 5,7 milhões à DEC Construções, uma empresa de Disney que aparentemente não opera, segundo apurações.

Além disso, há indícios de que Clóvis pode ter usado sua empresa para efetuar pagamentos indevidos a outros envolvidos no governo, incluindo a secretária-adjunta de Infraestrutura e outros empreendedores do setor de combustíveis.

O relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) acrescenta uma nova camada a essa narrativa, revelando que Clóvis realizou saques frequentes em sua conta, totalizando R$ 1,7 milhão em um período de nove meses, o que a PF considera como indícios de pagamento de propinas a servidores públicos para garantir contratos.

As investigações se aprofundam ainda mais com a apreensão de conversas no WhatsApp de Clóvis, que revelam interações suspeitas com o atual governador Edilson Damião. Esses diálogos, que incluem discussões informais sobre emendas e licitações, sugerem um relacionamento que se estende além do professionalismo esperado entre um empresário e um político.

Diante de tal gravidade, a Polícia Federal solicitou o envio do caso ao Tribunal de Justiça de Roraima, uma vez que existem indícios de envolvimento de um agente público com foro privilegiado. A investigação permanece sob sigilo judicial, enquanto aguarda os próximos passos e potenciais acusações formais. Em um momento em que a confiança nas instituições é cada vez mais questionada, a sociedade roraimense observa, atenta ao desenrolar deste caso que poderá ter efeitos profundos nas estruturas de poder do estado. O governo, por sua vez, ainda não se manifestou sobre essa situação alarmante.

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