As exportações de petróleo dos Estados Unidos estão projetadas para alcançar um nível recorde em abril, impulsionadas, em parte, pelo crescente interesse dos compradores asiáticos, que buscam alternativas após a perda de suprimentos provenientes do Oriente Médio. De acordo com estimativas, os embarques americanos podem chegar a impressionantes 5,2 milhões de barris por dia, quase dobrando em comparação com os níveis que estavam em vigor antes de o conflito iraniano se intensificar. Essa movimentação é evidenciada pelo aumento significativo de navios que se dirigem ao país, com 68 petroleiros a caminho — mais do que o dobro do que se via em períodos anteriores à crise.
Entretanto, essa tendência também tem pressionado os preços internos do petróleo, especialmente em um cenário de interrupção prolongada pelos conflitos na região. Antes de uma trégua temporária, o preço do West Texas Intermediate já havia subido mais de 50%, alcançando um patamar de mais de US$ 110 por barril, o que representa o maior valor registrado em quatro anos. Essa oscilação nos preços tem gerado preocupações inflacionárias significativas, comprometendo a agenda do presidente Donald Trump, que havia prometido reduzir os custos energéticos para os consumidores.
Com o preço da gasolina ultrapassando US$ 4 por galão e o diesel próximo a máximas históricas, o governo dos EUA optou por liberar mais de 170 milhões de barris da Reserva Estratégica de Petróleo. Além disso, o governo começou a flexibilizar normas ambientais, tentando, assim, estabilizar os preços. No entanto, analistas alertam que essas medidas podem, paradoxalmente, tornar o petróleo americano ainda mais atrativo para compradores estrangeiros, o que pode resultar em um aumento das exportações em vez de proporcionar alívio ao mercado interno.
A capacidade de resposta do país diante dessa crise é limitada. As liberações da reserva variam entre 1 e 1,5 milhão de barris por dia, enquanto o consumo doméstico é, em média, de 20 milhões de barris diários. Parte do aumento nas exportações deve-se às maiores importações de petróleo pesado da Venezuela, cuja situação está sob os auspícios dos Estados Unidos após a crise política que envolve Nicolás Maduro. Com muitas refinarias americanas adaptadas para lidar com petróleo pesado, o petróleo leve extraído do xisto tende a ser exportado.
Diante da pressão gerada por esses preços elevados, alguns parlamentares começaram a defender a proibição temporária das exportações de petróleo, conforme um projeto de lei proposto pelo congressista Brad Sherman. A Casa Branca, no entanto, até o momento, tem rejeitado essa ideia. Especialistas indicam que esse posicionamento pode mudar se os preços continuarem a subir, especialmente com as eleições de meio de mandato se aproximando. Para os analistas do setor, a imposição de controles de exportação poderia diminuir a produção nas refinarias, gerando efeitos colaterais indesejados. No entanto, não se pode descartar que discussões sobre medidas consideradas inviáveis, como a proibição de exportações, possam ressurgir caso o preço da gasolina chegue a níveis alarmantes, como US$ 6 por galão. Isso evidencia a crescente pressão política e econômica que a guerra no Oriente Médio tem gerado nos Estados Unidos.
