Petrobras mira autossuficiência em diesel até 2031 com novo plano de negócios, após reajustes causados por conflitos no Oriente Médio.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou, nesta quarta-feira, 1º de novembro, que a companhia está avaliando alternativas para tornar o Brasil autossuficiente na produção de óleo diesel até 2031. Durante um seminário sobre energia em São Paulo, Chambriard explicou que o plano de negócios atual da Petrobras estabelece a meta de atender 80% da demanda nacional de diesel, com a intenção de aumentar a produção em cerca de 300 mil barris diários dentro de um período de cinco anos.

“Estamos reavaliando nosso plano e questionando se é viável alcançar 100% em cinco anos”, comentou a presidente, destacando que a Petrobras está disposta a enfrentar esse desafio. Ela acredita que um novo plano de negócios pode ser desenvolvido, capaz de garantir que o Brasil alcance a autossuficiência em diesel.

O planejamento para essa nova proposta será iniciado em maio e deve ser finalizado em novembro deste ano. Entre as estratégias mencionadas por Chambriard está a expansão da Refinaria Abreu e Lima, localizada em Recife, cuja capacidade produtiva é projetada para atingir 230 mil barris diários, podendo ser ampliada para 300 mil barris caso necessário. Além disso, a Refinaria Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, também pode aumentar sua produção em colaboração com o Complexo de Energias Boaventura, antigo Comperj, podendo alcançar uma produtividade de 350 mil barris diários. Isso representaria um incremento significativo, com um aumento de 110 mil barris em relação à produção atual.

A presidente ainda ressaltou que quatro refinarias no estado de São Paulo estão passando por adaptações para aumentar a produção de diesel, ressaltando a importância desse combustível para o desenvolvimento nacional: “Aumentar a produção de diesel deve levar, também, a um aumento na produção de gasolina, que são os dois principais produtos da Petrobras.”

O cenário atual, entretanto, é desafiador. O recente conflito entre EUA, Israel e Irã, que se intensificou no final de fevereiro, resultou em uma alta significativa nos preços do óleo diesel S10, levando a Petrobras a reajustar o preço em R$ 0,38. Essa situação também impactou o preço do querosene de aviação (QAV), que teve um aumento de 55%, representando aproximadamente 30% do custo operacional das companhias aéreas.

Para tentar amenizar os efeitos desses reajustes, o governo federal tomou medidas como a isenção das alíquotas de tributos federais sobre combustíveis, como PIS e COFINS, além de oferecer subvenções a produtores e importadores. Também estão em andamento negociações com os estados para estabelecer uma divisão de custos sobre o subsídio do diesel importado, propondo que tanto a União quanto os estados assumam parte do valor subsidiando R$ 1,20 por litro, com um compartilhamento equitativo.

Essas iniciativas têm como objetivo mitigar os impactos da alta de preços, especialmente em decorrência das tensões geopolíticas no Oriente Médio, onde o fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota crucial para a produção de petróleo, elevou drasticamente o preço do barril tipo Brent, que saltou de US$ 70 para mais de US$ 101. A Petrobras, portanto, se encontra em um cenário onde a busca por autossuficiência em diesel é mais relevante do que nunca, especialmente frente aos desafios políticos e econômicos atuais.

Sair da versão mobile