Pesquisadores Descobrem Tubarões Produzindo Sons Intencionais pela Primeira Vez em Estudo na Nova Zelândia

Uma equipe de biólogos marinhos de diversas partes do mundo acaba de fazer uma descoberta surpreendente: tubarões são capazes de produzir sons intencionalmente. A revelação foi feita em um estudo publicado na revista Royal Society Open Science, que descreve como esses animais, conhecidos até então apenas por sua quietude, emitem estalos quando manipulados, desafiando crenças errôneas sobre suas capacidades comunicativas.

Pesquisas anteriores indicavam que os tubarões não podiam gerar sons, devido à ausência da bexiga natatória, um órgão crucial encontrado em muitos peixes que facilita a produção de ruídos. Além disso, exames anatômicos mostraram que esses cartilaginosos não apresentavam estruturas que pudessem justificar a produção de sons. Contudo, a surpresa surgiu durante experimentos com tubarões-de-plataforma juvenis (Mustelus lenticulatus), realizados em um tanque de teste na Nova Zelândia. Ao serem tocados, esses tubarões emitiram ruídos curtos com duração de aproximadamente 48 milissegundos, acompanhados de movimentos corporais significativos.

A bióloga marinha Carolin Nieder, responsável pela pesquisa, conduziu o experimento com cuidado, monitorando dez tubarões ao longo de uma semana. Quando observada a geração dos estalos, os pesquisadores perceberam que os sons eram emitidos exclusivamente quando os tubarões eram manuseados. Essa reação parece indicar que os estalos funcionam como uma resposta ao estresse, possivelmente uma estratégia para assustar predadores e aumentar suas chances de sobrevivência, já que esses tubarões são frequentemente alvo de outros animais no ecossistema marinho.

O mecanismo de produção de som está intimamente relacionado à anatomia do animal. Quando os tubarões fecham rapidamente a boca, os dentes superiores e inferiores colidem, criando o clique detectado pelos cientistas. Essa capacidade de comunicar-se por meio de sons pode abrir novas perspectivas para o entendimento do comportamento social e da comunicação dos tubarões, que, até agora, eram considerados seres mais silenciosos do que seus primos peixes.

Assim, o estudo não apenas amplia o conhecimento sobre as capacidades desses incríveis predadores do mar, mas também sugere que há muito mais a ser explorado e compreendido sobre a vida marinha e suas interações acusticamente complexas.

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