Atualmente, avanços tecnológicos e uma valorização crescente da capacidade mental dos animais reascenderam o interesse em superar a divisão entre espécies. Proprietários de animais de estimação estão ensinando seus cães a interagir com “botões de fala” e zoológicos estão treinando macacos para utilizar telas sensíveis ao toque. Uma nova pesquisa, apresentada em uma conferência científica, investiga se essas ferramentas podem proporcionar formas de comunicação e expressão para os animais.
Um dos focos do estudo é Ellie, uma cacatua-de-goffin de 11 anos, que foi ensinada a utilizar uma “tábua de fala” interativa através de um aplicativo baseado em tablet. O trabalho da pesquisadora Jennifer Cunha e sua equipe visou analisar se as pressões de ícones feitas por Ellie demonstravam potencial expressivo e de enriquecimento ambiental. A pesquisa envolveu análises quantitativas e computacionais das interações da cacatua com a ferramenta de fala.
Os resultados mostraram que as escolhas de Ellie não foram aleatórias e que a maioria de suas pressões de ícones estava relacionada a atividades que proporcionavam enriquecimento social e cognitivo, demonstrando um engajamento significativo da ave com o dispositivo. Apesar das limitações do estudo, especialistas enfatizaram a abordagem sistemática e as reivindicações modestas dos pesquisadores, considerando o trabalho como um primeiro passo crucial para melhorar o bem-estar dos animais em cativeiro.
Essa pesquisa marca uma mudança positiva no campo da cognição animal, afastando-se das expectativas de que os animais se comuniquem da mesma maneira que os humanos para focar em melhorar a qualidade de vida e os relacionamentos entre os animais e seus cuidadores. A evolução das técnicas e abordagens científicas mostra que, mesmo após meio século de debates e controvérsias, a busca por formas de comunicação interespécies continua a evoluir e a se adaptar às necessidades e capacidades dos animais.






