As revelações ganharam força após análise de imagens das câmeras corporais dos quatro policiais envolvidos na ocorrência, obtidas após controvérsias em torno da versão inicial apresentada pelos PMs. A Defensoria Pública de São Paulo, que representa a mãe da vítima, contestou essa narrativa, argumentando que as gravações mostravam uma possível manipulação do local do crime, com a inclusão de uma arma para incriminar Gabriel.
Os policiais, em sua versão, alegaram que Gabriel estaria armado, pilotava uma moto sem placa e tentava fugir ao cruzar com a viatura policial. Segundo eles, o jovem teria sacado a arma ao perder o controle da moto, o que teria levado o sargento Ivo a disparar em legítima defesa. No entanto, a Defensoria argumentou que, no momento em que os agentes chegaram ao local, não havia nenhuma arma próxima a Gabriel ou à motocicleta.
O laudo pericial reforçou essa tese, afirmando que não havia qualquer objeto com características de arma de fogo nas gravações iniciais. O documento evidenciou que foi um dos agentes que, com o pé, empurrou um objeto similar a uma arma em direção à moto, posterior a sua chegada. Com base nessas conclusões, o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) indiciou quatro policiais por homicídio e tentativa de fraude processual, considerando que suas versões apresentavam incongruências significativas.
Testemunhas, cujos depoimentos foram protegidos, relataram ter visto ações suspeitas, como um dos policiais colocando um objeto ao lado de Gabriel e outro, supostamente, afirmando ter encontrado uma arma. Essas afirmações foram cruciais para questionar a integridade das alegações dos policiais.
A investigação continua em andamento, mas ainda não há uma data definida para a conclusão do inquérito ou o julgamento dos envolvidos. Enquanto isso, os policiais permanecem afastados das atividades operacionais e atuam em funções administrativas. A mãe de Gabriel expressou sua indignação, clamando por justiça em um caso que ela considera claramente injusto. Para ela, as evidências comprovam que seu filho não portava arma e que houve uma manobra para incriminá-lo.






