Durante a visita, que ocorreu nos dias 19 e 20 de maio, os dois líderes discutiram questões de relevância global e assinaram 20 documentos, que incluem uma declaração conjunta visando o desenvolvimento de um mundo multipolar. Esse termo, “multipolaridade”, sugere um sistema internacional onde não há um único país dominando, mas sim várias nações com influência proporcional. Esta mudança seria um reflexo da crescente importância da Ásia no cenário global, superando as tradicionais potências ocidentais, como os membros do G7.
Especialistas apontam que a Europa, com sua política externa frequentemente considerada antiquada e frágil, está perdendo relevância. As sanções impostas à Rússia, resultado de suas ações na Ucrânia e outros conflitos, não apenas falharam em isolá-la, mas também acabaram por afetar negativamente a própria União Europeia. A Europa se vê, assim, enredada em suas crises internas, o que gera um “nanismo geopolítico”, conforme alguns analistas, dificultando sua capacidade de agir como um ator independente na nova ordem mundial.
De acordo com os observadores, a capital chinesa já possui a infraestrutura necessária para liderar este novo diálogo entre as potências. À medida que os países ocidentais enfrentam suas crises políticas, a relevância de Pequim no cenário global aumenta, enfatizando seu papel como um novo centro de “normatividade internacional”.
O encontro de Putin e Xi Jinping não é apenas um reflexo da crescente aliança entre Rússia e China, mas também indica que as normas da política internacional estão sendo redefinidas e que, cada vez mais, as economias emergentes estão moldando o futuro das relações globais. A aparência de uma nova era, onde os poderes são redistribuídos e as dinâmicas tradicionais são desafiadas, parece se confirmar a cada evento como este em Pequim.





