PEC que Aumenta Autonomia do Banco Central Avança na CCJ do Senado; Votação Pode Ser Adiada em Meio a Resistências do Governo

Na última quinta-feira, o senador Plínio Valério, relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa ampliar a autonomia do Banco Central, apresentou seu novo parecer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A leitura desse documento está programada para acontecer após o feriado, na semana do dia 27, marcando o início formal das discussões sobre a emenda.

Entretanto, embora a apresentação do parecer tenha um caráter inaugural, a expectativa é de que a votação da proposta seja postergada. Nos bastidores do Senado, líderes já estão articulando um pedido de vista, uma manobra que pode atrasar ainda mais a decisão e prolongar as negociações. O texto recém-apresentado mantém a essência da proposta original, ampliando a autonomia orçamentária e financeira do Banco Central, mas traz ajustes que foram negociados com o governo para minimizar oposições dentro do Palácio do Planalto.

Apesar das reformas propostas, o clima político se mantém cauteloso. A equipe econômica, liderada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, é contrária à movimentação da PEC neste momento. O pensamento que prevalece, similar ao defendido anteriormente por Fernando Haddad, é de que a proposta não deve ser discutida em ano eleitoral.

O parecer de Plínio Valério é crucial, pois abre espaço para debates que geralmente servem para ajustes finais antes da votação. A nova versão da proposta preserva a autonomia do Banco Central não apenas em aspectos operacionais, mas também orçamentários e financeiros, consolidando a ideia de que a instituição terá total liberdade em sua atuação, sem intervenções de ministérios, sob supervisão do Congresso Nacional.

Outro aspecto fundamental é a criação de um regime jurídico próprio para o Banco Central, definindo-o como uma entidade pública de natureza especial, incumbida de funções regulatórias. Essa estrutura permitirá que a autoridade monetária elabore e execute seu próprio orçamento, fora da Lei Orçamentária Anual, alinhando-se com práticas comuns em outras autoridades monetárias globais.

A Associação Nacional dos Auditores do Banco Central (ANBCB) elogiou a divulgação do relatório, considerando-a um avanço significativo na consolidação da autonomia da instituição. Entre os ajustes incorporados no texto, destaca-se o reforço do caráter público do Banco Central, evitando interpretações que poderiam sugerir uma atuação sob uma lógica empresarial.

Outra emenda importante, apresentada pelo líder do PT no Senado, Rogério Carvalho, amplia o “perímetro regulatório” da autoridade monetária. A maior inovação do relatório reside na proteção do sistema de pagamentos instantâneos, o Pix. O novo dispositivo estabelece que apenas o Banco Central terá a responsabilidade por sua regulação e operação, impedindo transferências a outras instituições, públicas ou privadas, e garantindo princípios como gratuidade e segurança ao usuário.

Essa inclusão surge em um cenário crescente de preocupações relacionadas a crimes cibernéticos. Recentemente, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, manifestou sua preocupação com o aumento das fraudes no sistema de pagamentos, enfatizando a necessidade de um reforço na estrutura do Banco Central. A proposta do relator, nesse contexto, pode se tornar uma aliada na luta contra tais crimes, ao oferecer uma autonomia que promete fortalecer a atuação da autoridade monetária em tempos desafiadores.

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