Patrimônio dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios atinge R$ 833 bilhões, mas pequenos empreendimentos ainda enfrentam barreiras para obter financiamento eficaz.

Em 2025, o patrimônio líquido dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios atingiu a marca impressionante de R$ 833 bilhões. Esse crescimento é um reflexo da crescente migração de empresas em busca de alternativas além do sistema bancário tradicional. Contudo, apesar do aumento no volume de recursos disponíveis, pequenas e médias empresas (PMEs) ainda enfrentam consideráveis dificuldades para obter financiamento, mesmo quando demonstram um histórico de crescimento consistente e operações saudáveis.

Na visão de Beny Fard, CEO e cofundador da fintech DeFin, a questão não reside na falta de capital, mas na ineficiência do acesso a essas quantias por parte das empresas em expansão. “O capital existe, mas não chega de maneira eficaz a quem realmente precisa. O formato atual de crédito não se adapta ao perfil das empresas em crescimento”, afirma Fard.

Empresas com receitas expressivas e contratos em expansão frequentemente enfrentem desafios como exigências de garantias excessivas, necessidade de um histórico financeiro robusto e os longos prazos de análise impostos pelas instituições financeiras. Essa situação prejudica a capacidade de resposta das empresas. “O tempo de análise dos bancos muitas vezes não acompanha a velocidade de oportunidades no mundo dos negócios. Quando a resposta finalmente chega, a chance de agir pode já ter sido perdida”, alerta.

O modelo tradicional de crédito, que opera com estruturas padronizadas voltadas para o financiamento de grandes operações corporativas ou crédito massificado para pessoas físicas, deixa as PMEs em uma posição vulnerável. A análise de empresas de médio porte, por exemplo, requer um esforço similar ao de grandes corporações, mas com retorno financeiro reduzido. É essa lógica que leva os bancos a restringirem e padronizarem suas ofertas, penalizando especialmente aquelas empresas que estão em fase de expansão. Isso porque, conforme Fard menciona, os negócios em crescimento geralmente enfrentam balanços financeiros pressionados, o que pode ser interpretado erroneamente como um sinal de instabilidade.

Diante desse cenário desafiador, a tendência é que soluções financeiras fora do sistema bancário convencional ganhem destaque. Os fundos de investimento, fintechs e plataformas especializadas estão começando a olhar para ativos gerados internamente, como recebíveis, em vez de depender exclusivamente de garantias tradicionais. A antecipação de recebíveis, por exemplo, se firmou como uma alternativa viável, já que reduz a necessidade de garantias adicionais ao atrelá-las ao pagamento final dos clientes das empresas.

No entanto, mesmo com soluções inovadoras emergindo, ainda existem barreiras relevantes que dificultam o acesso a essas opções. A falta de informação sobre alternativas disponíveis, a complexidade das regulamentações e a baixa integração tecnológica entre as empresas e as plataformas financeiras continuam a ser obstáculos significativos. “Muitos empresários ainda veem os bancos como a única opção de financiamento, e essa visão restrita perpetua o gargalo no acesso ao crédito”, ressalta um especialista.

Para enfrentar essas dificuldades, especialistas sugerem algumas estratégias que as empresas podem adotar para melhorar o acesso a capital fora do sistema bancário. Organizar informações financeiras, utilizar recebíveis como ativos estratégicos, diversificar fontes de financiamento, avaliar critérios além da simples taxa de juros e contar com parceiros especializados são algumas das práticas que podem facilitar o processo de obtenção de crédito.

A evolução do crédito estruturado representa uma mudança significativa na forma como as empresas acessam recursos no Brasil. Embora as instituições bancárias continuem a ser importantes, novos modelos oferecem mais flexibilidade e se ajustam melhor à realidade das PMEs. O desafio agora reside em quem consegue acessar rapidamente essas novas alternativas.

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