Quando Felicio Ramuth tomou posse em janeiro de 2023, o patrimônio declarado inclui uma casa avaliada em R$ 325 mil, créditos que somam R$ 1,6 milhão a receber de sua própria empresa, além de R$ 7 mil em títulos e apenas R$ 91 em conta bancária. Contudo, ao final de 2025, o cenário mudou drasticamente. O patrimônio da empresária agora compreende R$ 2,3 milhões em investimentos bancários, um crédito de R$ 850 mil e uma participação avaliada em R$ 9,6 milhões na Visio Panamá Corporation S.A., cuja sede se localiza no Paraná.
A maior parte da renda de Vanessa provém da Direct Serviços Digitais e Sistemas, uma empresa de software situada em Barueri, SP, que, curiosamente, não possui colaboradores. Estruturalmente, essa empresa opera em um modelo de coworking com um capital social bastante modesto de R$ 5 mil. A Direct, segundo a empresária, recebe recursos de outras duas empresas que têm uma forte presença em contratos públicos, especialmente com a Prefeitura de São Paulo. A relevância desses laços se torna ainda mais intrigante, já que Felicio Ramuth tem uma longa trajetória comercial com essas empresas.
Em face das perguntas levantadas sobre a transparência dessa situação financeira, o vice-governador defendeu a origem dos rendimentos de sua esposa, afirmando que eles decorrem de direitos sobre tecnologia desenvolvida antes de ele entrar na política, em 2016. Apesar disso, ele revelou ter sido orientado por seus advogados a não divulgar contratos específicos que regulamentam o repasse de recursos para a Direct.
Enquanto o governo paulista avança em diversas frentes, as revelações sobre o patrimônio de Vanessa Ramuth suscitam debates sobre a ética e a transparência em situações onde o público e o privado se entrelaçam.
