Parlamento Europeu Discute Avanços do Acordo Comercial com Mercosul em Encontro com Presidente em Exercício do Brasil

Nesta quarta-feira, 6 de setembro, o Palácio do Planalto, em Brasília, recebeu representantes do Parlamento Europeu em uma reunião com o presidente em exercício, Geraldo Alckmin. O encontro teve como foco principal os desdobramentos do acordo comercial entre Mercosul e a União Europeia, que começou a vigor na última semana. Esse pacto, um dos mais significativos do mundo, promete criar uma das maiores áreas de livre comércio global, reduzindo consideravelmente as tarifas sobre os produtos brasileiros exportados para o continente europeu.

O acordo, que foi oficialmente assinado no final de janeiro em Assunção, Paraguay, marca um avanço importante nas relações comerciais entre os dois blocos. Contudo, sua aplicação ocorre de forma provisória, devido a uma decisão da Comissão Europeia, que encaminhou o texto para uma análise jurídica pelo Tribunal de Justiça da União Europeia. Essa avaliação determinará se o acordo está em conformidade com as normas europeias, e o processo pode levar até dois anos para ser concluído.

O deputado português Hélder Sousa Silva, que preside a Delegação para Relações com o Brasil do Parlamento Europeu, expressou otimismo quanto à aprovação do pacto. Ele afirmou que espera uma decisão positiva do tribunal e que a ratificação no Parlamento Europeu siga em um caminho favorável.

Logo no início do acordo, observaram-se mudanças significativas nas exportações brasileiras. Estima-se que mais de 80% desses produtos agora estejam isentos de tarifas de importação. Isso significa que a maioria dos itens exportados pelo Brasil para a Europa poderá ser comercializada sem a imposição de impostos, o que, na prática, diminui os preços finais e aumenta a competitividade dos produtos brasileiros em um mercado global.

A redução das tarifas beneficiará, em particular, o setor industrial, já que cerca de 93% dos quase 3 mil produtos com tarifas zeradas são bens industriais. Além disso, a reunião também enfatizou que o acordo foi elaborado com um equilíbrio que contempla salvaguardas para diversos setores produtivos.

Geraldo Alckmin destacou a importância do multilateralismo, ressaltando que o acordo proporcionará à sociedade acesso a produtos de melhor qualidade a preços mais acessíveis, além de estimular a competitividade entre os países envolvidos. Na semana anterior, o governo brasileiro havia já definido as cotas tarifárias sobre certas mercadorias, que possibilitarão a importação ou exportação com impostos reduzidos ou até isentos.

Essas cotas representam aproximadamente 4% das exportações brasileiras e apenas 0,3% das importações, o que indica que a maior parte do comércio entre Mercosul e União Europeia poderá ser realizado sem restrições significativas, reforçando o potencial de crescimento econômico entre esses 31 países, que juntos somam um mercado consumidor de 720 milhões de pessoas e um PIB superior a 22 trilhões de dólares. Essa abordagem mútua promete beneficiar ambas as partes, visando o fortalecimento das relações comerciais e econômicas.

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