A proposta sueca de adesão à Otan foi anunciada em maio de 2022, em resposta à invasão russa da Ucrânia, e quebrou com décadas de neutralidade dos dois países nórdicos, a Suécia e a Finlândia, que já eram parceiros da Otan desde 1994. Enquanto a Finlândia se tornou o 31º membro da Otan no ano passado, a Suécia enfrentou obstáculos relacionados a divergências políticas e comerciais, especialmente com a Turquia.
O governo turco acusou Estocolmo de abrigar integrantes de grupos considerados terroristas, e a queima de um exemplar do Alcorão durante um ato da extrema direita na capital sueca temporariamente congelou as conversas entre os dois países. No entanto, os suecos adotaram leis antiterrorismo mais duras e facilitaram as regras para exportação de itens militares pelos turcos, o que contribuiu para a aprovação da adesão sueca à Otan.
Além disso, a demora na confirmação da adesão sueca também foi influenciada pela complexa relação entre o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e a Rússia. Erdogan não condenou a invasão da Ucrânia, aumentou o comércio bilateral com os russos e manteve contato constante com Vladimir Putin, o que gerou dúvidas nos membros da Otan.
Agora, com a aprovação da Turquia, a Suécia precisa convencer a Hungria a lhe dar sinal verde para se juntar à Otan, já que o texto de ratificação está parado no Parlamento húngaro há mais de um ano. Parlamentares nacionalistas húngaros criticam as falas de autoridades suecas sobre a “erosão da democracia” no país, o que tem gerado um impasse na negociação.
No entanto, o impasse pode estar perto do fim, já que o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, afirmou ter feito um convite ao premier sueco, Ulf Kristersson, para visitar o país e “negociar a adesão sueca”. Resta aguardar a resposta de Estocolmo para saber se a adesão sueca à Otan será finalmente confirmada.





