O primeiro voo chegou em 23 de abril de 2026, trazendo 16 migrantes provenientes de diversas nacionalidades, como Bolívia, Colômbia, Equador, El Salvador, Espanha e República Dominicana. Inicialmente, a previsão era de que 25 deportados desembarcassem, mas o governo paraguaio rejeitou nove deles por não atenderem os critérios determinados pela Direção Nacional de Migrações. O governo paraguaio informou que irá rapidamente repatriar os que não foram aceitos, com os custos cobertos pelos EUA e pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), que também se comprometem a fornecer alimentação e abrigo nas primeiras semanas.
O silêncio do governo sobre os detalhes do acordo tem gerado críticas, especialmente entre legisladores da oposição. O deputado Cleto Giménez, presidente da Comissão de Migração e Desenvolvimento, expressou preocupações, afirmando que o conteúdo do memorando não é claro e que ele não foi submetido ao Congresso para discussão. O advogado e analista Héctor Sosa Gennaro apontou que o governo paraguaio buscou evitar a aprovação legislativa, tratando o acordo como uma mera colaboração entre países, o que não demandaria mais aprovação formal.
A falta de um debate mais amplo traz à tona questões cruciais, como a possibilidade de os deportados solicitarem asilo no Paraguai, o que seria complicado sob as regras atuais. Especialistas estimam que o Paraguai terá dificuldade em controlar efetivamente a entrada desses indivíduos, sobretudo com a pressão dos EUA por uma rápida remoção de migrantes.
O ex-diplomata Luis Fretes Carreras destacou que, embora o Paraguai tenha uma história de acolhimento a refugiados, este cenário é mais complexo, dado o contexto de segurança envolvido. A opacidade nas negociações e a ligação entre questões migratórias e de segurança nacional preocupam defensores dos direitos humanos. O alinhamento político com Washington suscita sérias dúvidas sobre a autonomia da administração paraguaia em decidir sobre os deportados.
O desafio cresce na medida em que os Estados Unidos planejam continuar com o envio de deportados. Se o ritmo de 25 pessoas por mês for mantido, é provável que, até o final do ano, cerca de 100 novos migrantes se estabeleçam no Paraguai, enfatizando a necessidade urgente de um plano sustentável por parte do governo de Santiago Peña.







