O chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, foi claro ao afirmar que a posição oficial do Paraguai frente às declarações do presidente brasileiro era fundamental. Ele destacou que a interpretação da história promovida por Lula é “incompatível” com a narrativas que o Paraguai sustenta sobre o conflito. Em entrevista coletiva, Lezcano enfatizou: “A dignidade do Paraguai não é negociável”, revelando também que o presidente paraguaio, Santiago Peña, discutiu a questão diretamente com Lula em uma conversa telefônica.
A reação no Paraguai foi rápida e contundente. A Câmara dos Deputados do país aprovou uma declaração de repúdio às falas de Lula, caracterizando-as como uma visão “parcial” e omissa de fatores históricos cruciais que moldaram a guerra e seu impacto devastador no Paraguai. Historicamente, a guerra é lembrada não apenas pela luta militar, mas também pelas consequências catastróficas que causou ao Paraguai, que incluiu perdas territoriais e uma severa desestruturação populacional.
Esse incidente ocorre em um contexto de crescentes desavenças entre Brasil e Paraguai, particularmente em questão de interesses energéticos, como a renegociação do Anexo C do Tratado de Itaipu. Esse tratado é essencial para a definição dos termos financeiros da energia gerada pela usina binacional, simbolizando um dos pontos de atrito nas relações entre os dois países. As negociações já haviam enfrentado dificuldades quando o Paraguai alegou uma operação de espionagem por parte da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), levando a uma suspensão temporária das tratativas.
Nesse cenário, o episódio destaca não apenas a frágil relação diplomática entre Brasil e Paraguai, mas também a importância das narrativas históricas que continuam a influenciar a política e as relações internacionais na América do Sul.





