Paquetá, pequeno bairro carioca, luta por título da Unesco enquanto se prepara para a Copa do Mundo e enfrenta desafios de infraestrutura e turismo.

Em meio à expectativa de mais de 200 milhões de brasileiros torcendo pelo hexacampeonato na Copa do Mundo, uma pequena comunidade carioca se destaca com um sonho singular: conquistar o título de Patrimônio Mundial da Humanidade da Unesco. A Ilha de Paquetá, berço do meia da seleção brasileira Lucas Paquetá, com seus 3,5 mil moradores, busca não apenas reconhecimento, mas melhorias estruturais significativas que a aproximem desse objetivo.

Localizada na Baía de Guanabara, Paquetá é um autêntico refúgio carioca, onde o tempo parece ter parado. Com apenas 1,2 quilômetro quadrado, a ilha oferece um estilo de vida tranquilo, centrado em bicicletas, e é marcada pelo legado artístico de Pedro Bruno, um renomado pintor e paisagista. A antiga residência de Dom João VI, o Solar Del Rey, é um dos principais marcos históricos da ilha, embora esteja fechada desde 2009 devido à falta de manutenção.

Apesar do reconhecimento como Área de Proteção do Ambiente Cultural desde 1999, a estrada para a candidatura da Unesco enfrenta desafios. A Associação de Moradores de Paquetá (Morena) clama por ação governamental para restaurar a autoestima comunitária e corrigir problemas como buracos nas ruas e áreas de deslizamento, essenciais para apresentar uma ilha condizente com o título pretendido.

Nas ruas de terra batida, um charme que os residentes valorizam, a proibição de veículos a combustão se destaca. O transporte é feito por bicicletas, triciclos e carrinhos de golfe, mas a introdução de bicicletas elétricas tem gerado preocupações quanto ao sossego. O turismo, propulsor vital da economia local — reavivado após a popularização das águas limpas da baía e um calendário recheado de eventos culturais — demanda, no entanto, uma infraestrutura mais robusta.

Gabriel Gitsin, sócio do restaurante Tia Leleta, destaca a importância das competições esportivas para alavancar o turismo, enquanto a comunidade aguarda com expectativas as exibições dos jogos da seleção nacional. Embora a ilha se destaque pela segurança e pela tradição cultural, a falta de banheiros públicos no Parque Darke de Mattos e as limitações no transporte aquaviário evidenciam a necessidade urgente de melhorias na infraestrutura.

Recentemente, avanços como a universalização da coleta de esgoto e a volta de períodos de banho liberados nas praias representam passos positivos, embora a despoluição da baía ainda esteja em pauta. Moradores anseiam por uma revitalização que atenda às crescentes demandas dos visitantes e moradores, mantendo a paz e a beleza que tornam Paquetá um lugar único no coração do Rio de Janeiro.

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